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Adrenalina

Viver no limite…

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Autor/Imagem:
Tania Miranda - Foto Francisco Filipino

Vivemos de emoções. Sem estas, é como se simplesmente não existíssemos. Necessitamos sentir o pulsar acelerado de nossos corações. E, às vezes, em nome desta necessidade de adrenalina, acabamos por agir inconscientemente, colocando em risco nossa vida e a de outros. Algumas vezes essa atitude de nossa parte pode nos cobrar um preço alto demais…

Não é raro nos colocarmos no limite, como se tal fosse realmente indispensável. E ao agirmos assim acabamos por colocar em xeque tudo aquilo que conta em nossa vida… nosso instinto de sobrevivência. Quantos e quantos incidentes trágicos não ocorrem simplesmente porque resolvemos abrir mão de nossa segurança em nome de alguns instantes de euforia? Muitas vezes o resultado é irreversível, ceifando vidas jovens. Mas mesmo que não fossem jovens, uma perda inútil.

Ao abrirmos as páginas de um jornal, ao assistirmos a um noticiário, é comum tomarmos conhecimento de situações que poderiam ter sido evitadas se os agentes em questão tivessem ao menos um pouquinho de bom senso. E se esse faltasse, que pelo menos seguissem as regras mínimas de segurança.

O pior é que as vítimas dessas situações pagaram por isso. Queriam adrenalina, queriam sentir-se, mesmo que por alguns instantes, imortais. E acabaram passando para o outro lado mais cedo que o planejado, tudo porque descuidaram de sua própria segurança em nome da diversão.

É como uma roleta russa, onde você coloca um único projétil na câmara de um revolver e puxa o gatilho, sem saber se esse projétil está ou não em posição de disparo. Se estiver, você irá tocar harpa mais cedo que o esperado… e é assim que acontece com a maior parte das diversões escolhidas por algumas pessoas…

O mais triste é que vemos tais ações acontecer em nossa frente todos os dias. Seja no trânsito, no trabalho, no lazer. Algumas pessoas abrem mão de sua segurança, ignoram seu instinto de sobrevivência e agem como se nada nesse plano pudesse atingi-los. Uma hora a sorte acaba. Então a tragédia acontece.

Exceto as naturais, a maioria das tragédias é anunciada com bastante antecedência. A pessoa sabe dos riscos que corre, mas mesmo assim resolve seguir em frente. Não porque realmente tenha necessidade de cometer tal ação. Mas porque deseja provar a si mesma e ao mundo que não tem medo de nada. E então acontece.

Claro, sempre há uma equipe que deveria cuidar da segurança dos intrépidos. Deveria. Mas o ser humano é falho. E se algum membro dessa equipe se esquecer de algum item, não preciso dizer o que irá ocorrer. Culpados serão nomeados. Terão que pagar por seu erro. Mas quem partiu por negligência não mais retornará.

Infelizmente acidentes desse tipo ocorrem quase constantemente. E ainda assim, a luz de alerta de algumas pessoas ainda não acendeu. O perigo só é percebido quando não há mais como recuar, quando o voo para o vazio já se iniciou e o destino é o outro lado da cortina. Quando a pessoa se vê de pé no cais, se preparando para embarcar na Nau de Caronte.

Seria cômodo dizer que a vida é assim. Mas sabemos que é mais que isso. Se queremos apenas viver, antes de pensarmos em nos atirar de um penhasco ou subir uma montanha íngreme apenas para provar a nós mesmas que somos capazes, que tal começar a olhar o milagre da vida que nos cerca de todos os lados? Apreciar um nascer ou por do sol, o desabrochar de uma flor, o canto mavioso dos pássaros… a vida é tão bela… tem tantas maravilhas. Não precisamos colocar nossa integridade física em perigo apenas para nos sentir vivas. Vivamos, simplesmente…

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