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Carreira frustrada

Quando o “faça mais” não traz reconhecimento, o esforço vira esgotamento

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Autor/Imagem:
Fabiana Saka - Francisco Filippino

Muitos profissionais hoje vivem uma frustração silenciosa. Eles seguem à risca o passo a passo para um bom desenvolvimento profissional: estudam, chegam cedo, vestem a camisa da empresa e entregam além do que o cargo exige. Porém, na hora de receberem uma promoção ou um aumento, a resposta é quase sempre a mesma: “não é o momento”.

Esse cenário cria uma geração de trabalhadores desanimados. No consultório de psicólogos clínicos, o relato é comum: “Eu sei que sou bom e faço mais que o necessário na minha função, mas me sinto sem perspectiva de sair do lugar”. Essas pessoas percebem que o discurso da empresa, de que é preciso sempre “fazer algo a mais, se dedicar, surpreender”, muitas vezes é uma estratégia para lucrar em cima do esforço do colaborador, que não é pago.

A empresa ganha quando um funcionário trabalha além de suas funções, gasta pouco mantendo-o no mesmo lugar e alimenta o trabalhador com a esperança de um crescimento futuro melhor, garantindo que ele continue dando o seu máximo hoje.

Na estrutura atual das empresas, não existe lugar para todos crescerem. Por mais dedicação que o colaborador tenha, o crescimento costuma ter um limite, que raramente depende apenas de esforço trabalhista.

Quando o trabalhador percebe que sua dedicação leva lucro à empresa, mas sem retorno para si mesmo, o brilho nos olhos apaga.

Não havendo espaço para todos no topo, a gestão precisa ser clara sobre as reais possibilidades de crescimento. Pedir o “algo a mais” como uma obrigação invisível, sem oferecer planos de carreira, traz ao trabalhador o sentimento de estar sendo explorado.

O bom alinhamento acontece quando a empresa valoriza que o colaborador investe seu tempo e sua vida em seu trabalho. E o colaborador, por sua vez, transforma sua dedicação silenciosa em diálogo aberto, buscando conversas diretas: “Quais são as etapas concretas para minha promoção?”. Estabelecendo limites saudáveis, o colaborador deixa de entregar o “excedente gratuito” e passa a entregar uma excelência profissional consciente, protegendo sua saúde mental.

Uma empresa saudável não é aquela que lucra com o esgotamento de sua equipe, mas a que prospera junto com o crescimento real de quem a constrói.

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Fabiana Saka é psicóloga clínica, escritora e fundadora da Existência Clínica Terapêutica. Com atuação em neuropsicologia e terapia individual e familiar, alia sua experiência prévia em Recursos Humanos ao estudo do comportamento organizacional, enriquecendo sua prática clínica e o suporte oferecido aos seus pacientes.

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