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Sobral

Casal e advogados são presos em operação contra lavagem de dinheiro

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Autor/Imagem:
Bartô Granja - Foto Divulgação

Uma grande operação nacional deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (18) desarticulou um braço financeiro da facção criminosa Comando Vermelho (CV). A ofensiva focou no combate aos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, mobilizando agentes em uma ação simultânea que atingiu oito estados do país. O principal objetivo das autoridades foi golpizar as finanças do grupo, que possuía uma estrutura sofisticada para ocultar recursos de origem ilícita.

Entre as 28 pessoas capturadas durante a ação policial, chamou a atenção a prisão de um casal de moradores do município de Sobral, localizado na região norte do Ceará. Foram detidos a influenciadora digital e personal trainer Mayara Costa e o seu companheiro, o engenheiro Auriston Costa. De acordo com fontes ligadas à Polícia Civil, ambos são fortemente suspeitos de atuar diretamente na lavagem de capitais para a organização de matriz carioca.

Nas redes sociais, o casal ostentava perfis profissionais ativos e de grande alcance. Enquanto Auriston Costa se apresentava publicamente como um “especialista em investimento e financiamento imobiliário”, Mayara Costa acumulava mais de 16 mil seguidores na rede social Instagram, onde destacava suas habilidades no mundo fitness e na dança. A suspeita é de que as atividades profissionais declaradas serviam de fachada para a movimentação de valores ilícitos.

O tamanho do esquema chamou a atenção das autoridades devido às altas cifras envolvidas. Conforme apontado pelas investigações da Polícia Civil, o grupo criminoso sob suspeita conseguiu movimentar uma quantia superior a R$ 1 bilhão de reais apenas nos últimos três anos. Por conta disso, a Justiça determinou o bloqueio imediato de diversas contas bancárias vinculadas aos alvos, visando congelar o fluxo de caixa da facção.

Para dar conta da capilaridade da rede criminosa, a operação cumpriu mandados em 10 cidades do Ceará e se estendeu por outras sete unidades federativas. Houve cumprimento de ordens judiciais nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins. No total, a polícia cumpriu 47 mandados de prisão, sendo que 18 alvos já se encontravam recolhidos no sistema prisional e 29 estavam em liberdade.

O cerco ao patrimônio dos investigados resultou na apreensão de 64 veículos de luxo em todo o país, dos quais 16 foram localizados e recolhidos na cidade de Sobral. Entre os automóveis confiscados pelas equipes policiais, estavam modelos de alto valor agregado como SW4, Compass e Hilux, que custam centenas de milhares de reais cada. Além dos carros, as autoridades conseguiram o sequestro de cinco imóveis de luxo, incluindo uma fazenda.

Somente em território cearense, os agentes de segurança deram cumprimento a 41 decisões judiciais expedidas pelos magistrados. Durante as buscas nos endereços dos suspeitos, os policiais apreenderam armas de fogo, munições de diversos calibres e aproximadamente R$ 100 mil em dinheiro vivo. Todo o material recolhido e os bens de alto padrão foram encaminhados para os setores de perícia e triagem da Polícia Civil para subsidiar o processo.

A estrutura do esquema também contava com apoio técnico e jurídico, o que levou dois advogados a se tornarem alvos centrais da instituição policial. Um dos defensores foi preso em flagrante na cidade de Fortaleza pelos crimes de integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro, sob a acusação de participar diretamente do fluxo financeiro do grupo. O segundo advogado foi alvo de busca e apreensão, tendo seu escritório devidamente revistado pelas equipes.

O delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, ressaltou que a estratégia principal é sufocar o patrimônio da facção criminosa para desestabilizar suas operações de base. “Identificamos muito patrimônio ligado a essas pessoas e é por isso que essa ação, além de buscar a captura desses criminosos, está buscando também a apreensão dos bens, bloqueio, sequestro”, explicou a autoridade policial em entrevista sobre o balanço da operação.

Por fim, Gutiérrez explicou que a pulverização da operação por oito estados ocorreu porque muitos chefes e operadores fogem do Ceará à medida que a pressão policial local aumenta. Segundo ele, os criminosos migram para o Rio de Janeiro, São Paulo e regiões do Norte e Centro-Oeste do país. As diligências continuam em andamento em outros estados federativos para localizar e capturar pelo menos 15 alvos com mandados de prisão preventiva que ainda estão foragidos.

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