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Era da Intolerância

Marte e seus filhos caminham entre nós

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Autor/Imagem:
Tania Miranda - Foto Francisco Filipino

De tempos em tempos a Era da Intolerância toma conta de nosso plano. É como se fosse um expurgo programado por motivos vários. Mais ou menos como quando os lavradores tocam fogo em suas lavouras ou grandes incêndios tomam conta de florestas, destruindo tudo à sua volta. Destruição para renascimento, e isso desde os primórdios de nossa aventura na Terra.

A cada século que passamos temos um período de turbulência e depois uma calmaria relativa. Digo relativa porque, mesmo que os conflitos não tomem grandes proporções, continuam pontuais. Em nenhum momento da história humana vivemos um dia sequer sem que não houvesse querelas entre povos.

É como depois de um grande incêndio, onde temos que ficar atentos para abafar pequenos focos, sob o risco de eles crescerem e o ciclo reiniciar. É mais complicado apagar todos os focos de incêndio que combater o imenso fogaréu.

Após vivermos um período relativo de paz… relativo porque sempre teremos querelantes e querelados… os sinais de que “há algo de podre no Reino da Dinamarca” começam a explodir em nossa cara. Mas, para nossa paz de espírito, tentamos não visualizar tal ameaça…

Claro que sempre haverá cobiça, inveja e ódio imperando sobre os grupos sociais. Aliás, os “grandes líderes” fomentam a cizânia, pois quando nomeamos um inimigo é mais fácil controlar a massa, pois temos um rosto, um corpo e nome para odiarmos.

Vários grupos, com diferentes orientações, compõe o Universo Social do qual fazemos parte. A princípio os “líderes” escolherão um ou outro “boi de piranha”… geralmente o grupo mais fraco, para sacrificarem em nome de uma suposta Ordem, cujos beneficiários serão eles mesmos. Dificilmente lutarão em nome de seus seguidores. Estes comprarão a ideia e seguirão cegamente seus líderes. Para estes, os mesmos foram ungidos por uma Entidade Superior e são detentores da Verdade Absoluta.

É quando direitos adquiridos a duras penas são pisoteados pela massa, pois estes foram classificados pelos cabeças como algo inadmissível. Não que seja realmente, mas como eu disse, há a necessidade de se criar um inimigo visível. E quanto mais alto este protestar contra as injustiças que sofrerá, mais a turba será insuflada a atacá-lo.

O mais triste é que, até o momento em questão, todos viviam em relativa paz. Mas o desejo de alguém de conquistar louros de uma vitória sem sentido contra um inimigo inexistente empurra as pessoas umas contra as outras. E, inexplicavelmente, o desejo de aniquilar o grupo rival toma conta das pessoas.

Se pensarmos que as guerras, tanto de uma nação contra outra quanto de um grupo social contra outro, são causadas por motivos fúteis ficamos nos perguntando porque tal acontece. Afinal, até o momento da deflagração das contendas em si, ambos os lados conviviam pacificamente. Tudo bem, podiam até ter opiniões conflitantes, mas nada que justificasse o desejo de se exterminarem…

Estamos chegando próximo da terceira década deste século. É quando, normalmente, há grandes conflitos nesse nosso plano. Já há vários em andamento, mas ainda em pequenas proporções. Continuamos a manter nossa cabeça escondida, como os avestruzes. É como se, ao nos recusar a abrir os olhos, os conflitos não existissem. Mas existem. E podem, de um momento para o outro, tomar dimensões tais que podem colocar em risco toda nossa Sociedade.

Oxalá este seja um século diferente dos anteriores. E que os pequenos focos de incêndio possam ser extintos e que consigamos seguir em frente vivendo em paz uns com os outros. Que a maioria respeite os direitos da minoria. Que muitas vezes é, em números, superior à maioria dominante. Quando deixamos de respeitar nosso próximo estamos mais perto da barbárie. E isso nunca termina bem…

Não esqueçamos jamais que nosso direito termina quando negamos esse mesmo direito ao nosso semelhante. E nossa liberdade depende da daqueles que nos cercam. Pois estamos todos em um mesmo barco. Se todos remarem na mesma direção, chegaremos a um Porto Seguro, onde poderemos desfrutar da Paz tão desejada. Se, ao contrário, dermos ouvidos a “líderes” que apenas almejam dominar a tudo e a todos… nosso destino com certeza será o Inferno em Vida…

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