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Tempos difíceis

Não se faz uma omelete sem quebrar os ovos

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Autor/Imagem:
Tania Miranda - Foto Francisco Filipino

Vivemos tempos difíceis. A violência domina nosso dia a dia. E, logicamente, desejamos uma solução imediata para o problema. Alguém tem que tomar alguma providência, não é mesmo? Cadê os nossos representantes, que não apresentam uma solução que satisfaça a todos?

Eu me lembro de minha infância e de minha adolescência, quando podíamos andar pelas ruas até altas horas da noite e nenhum perigo corríamos. Havia segurança. Havia respeito. Então, de repente, sem mais nem menos, tudo acabou por despencar. As ruas não eram mais seguras. O que aconteceu, que virou tudo de cabeça para baixo?

Bem, nada acontece por acaso. Já disse alguém, certa vez, que “não se faz uma fritada sem quebrar os ovos”. E o que isso significa, realmente? Antes de nada mais, uma coisa simples, mas que acabamos por não perceber… não dá para corrigir uma coisa errada sem lançar mão de meios duros, às vezes.

Por mais que queiramos crucificar os Agentes da Lei, acusando-os de violentos, não dá para manter a ordem simplesmente com sua presença. Presença sem ação nada significa. Pois, ao perceber que esse Agente não pode tomar nenhuma atitude mais drástica contra um transgressor, este deixará de temê-lo, pois sabe que se sofrer algum tipo de represália quem terá que se explicar é o Agente. O infrator ainda sairá como vítima da situação.

Claro, há casos e casos. Mas o Agente da Lei é como um bombeiro, tentando apagar o fogo com um balde de água que alguém alimenta constantemente com gasolina. Não tem como dar certo.

Discute-se muito na Sociedade ideias como “redução da maioridade penal”, como se responsabilizarmos as pessoas cada vez mais jovens por seus atos resolvesse o problema. Não resolve. Porque este é um problema de estrutura familiar. Porque quando você é criada como se não houvesse limites, onde as regras não são claras, bem… o Caos impera.

O que as pessoas se esquecem com facilidade é que a Primeira Lei que obedecemos é a da sobrevivência. Não importa o que precisamos fazer, tudo será em nome de nossa própria subsistência. Uma criança abandonada por seus genitores fará de tudo para sobreviver. Não existe bússola moral que a conduza por um caminho mais… limpo, digamos assim. Ela precisa do mínimo do mínimo para manter-se ativa.

Quando falo “abandonada”, não significa que esta mora nas ruas. Que é uma “sem teto”. Muitas vezes o abandono ocorre no seio do lar. Pais e mães atribulados, deixando a atenção para seus rebentos como a última de suas preocupações. E é quando outros começam a “cuidar” dos pequenos, seduzindo-os com aquilo que sua família não oferece… um simulacro de “Amor”…

Toda família tem seus problemas. Seja ela “convencional” ou não. Algumas vezes as dificuldades enfrentadas pelos adultos acabam por atrapalhar sua relação com os pequenos. E é aí que tudo começa a desandar. Porque a criança precisa de um modelo para seguir. E simplesmente não tem nenhum próximo a ela.

Infelizmente a raiz de todo problema social que enfrentamos se inicia onde menos esperamos. No seio familiar. Quando não ensinamos respeito e outros conceitos básicos para os pequenos sob nossa responsabilidade, estamos fomentando o crescimento da violência em nosso meio. Por mais que não queiramos ver isso.

Não há como resolver tal situação da noite para o dia. Pois é necessária uma reforma de base. O problema é como fazer tal reforma. Afinal, se dosarmos o remédio além da conta, podemos terminar em um mundo semelhante ao do “Conto da Aia”, onde não só não se resolve o problema em questão, como se cria um novo, muito mais pesado…

E aí está o paradoxo de nossos dias… para vivermos a Paz tão desejada o caminho parece ser a aplicação de Violência por algum tempo, onde se restituiria o conceito de Respeito aos Agentes da Lei. E nessa ação, um sem número de inocentes acabaria por sofrer as consequências por atos dos quais não participaram. Mas, como já disse acima, “para fazer uma omelete temos que quebrar os ovos”…

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