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BRB, caso de polícia

Novo escândalo amplia desgaste e reacende alerta no Palácio do Buriti

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Autor/Imagem:
Carolina Paiva - Foto Reprodução/TV Globo

O Banco de Brasília (BRB), já mergulhado na turbulência provocada pelas investigações envolvendo sua controversa relação com o Banco Master, voltou ao centro de um novo escândalo nesta terça-feira, 23. Desta vez, a Polícia Civil desarticulou um esquema de descontos supostamente ilegais em contas de aposentados e pensionistas, que teria causado prejuízo estimado em R$ 5 milhões.

A operação resultou na prisão de sete pessoas, entre elas três servidores do próprio BRB, suspeitos de participar de um esquema que atingiu cerca de 3,5 mil correntistas. Os mandados foram cumpridos em diversas regiões do Distrito Federal e também em Minas Gerais.

Segundo as investigações, associações realizavam cobranças sem autorização dos beneficiários, reproduzindo um modelo semelhante ao esquema que atingiu aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entre 2019 e 2024, alvo da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal.

As ações ocorreram no Plano Piloto, Asa Sul, Asa Norte, Recanto das Emas, Brazlândia e Jardim Botânico, incluindo sedes de entidades suspeitas de participação nas fraudes.

O caso surge em um momento particularmente delicado para o banco estatal. Nos últimos meses, o BRB passou a ocupar espaço permanente no noticiário policial e econômico em razão das investigações relacionadas ao Banco Master, operação que já resultou na prisão do ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, e desencadeou uma crise política que ainda produz desdobramentos.

Embora a atual gestão do Governo do Distrito Federal sustente que os fatos investigados remontam a períodos anteriores e que medidas de correção vêm sendo adotadas, a sucessão de episódios acaba atingindo a imagem da instituição financeira e, inevitavelmente, produz reflexos políticos.

A governadora Celina Leão (PP) reagiu rapidamente ao novo episódio. Em publicação nas redes sociais, informou ter determinado ao secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, a contratação de auditoria externa para apurar eventuais irregularidades e responsabilizar os envolvidos.

“Determinei, ainda, que a Procuradoria-Geral do Distrito Federal busque meios legais para garantir o ressarcimento dos recursos dos servidores públicos. O salário, as aposentadorias e pensões dos servidores do GDF são sagrados”, declarou.

A manifestação busca demonstrar firmeza diante do problema, mas o novo escândalo representa mais um foco de desgaste para um governo que tenta se desvincular dos efeitos da crise provocada pelas operações envolvendo o BRB e o Banco Master.

Nos bastidores políticos, a preocupação é evidente. Com as eleições de outubro se aproximando, auxiliares da governadora reconhecem reservadamente que cada nova investigação relacionada ao banco estatal tem potencial para reacender questionamentos sobre os mecanismos de controle da instituição, justamente quando o governo procura convencer a população de que os problemas herdados estão sendo enfrentados com transparência.

Os investigadores acreditam que as fraudes ocorreram desde 2024. Até o momento, o BRB não divulgou posicionamento oficial sobre as prisões desta terça-feira.

A operação foi conduzida pela Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf), da Polícia Civil do Distrito Federal.

O episódio acontece poucos dias após outra ofensiva das autoridades. Na sexta-feira, 19, o Ministério Público cumpriu cerca de 50 mandados de busca e apreensão em investigação sobre descontos supostamente irregulares na folha de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal. Entre os alvos estavam o ex-secretário de Economia Ney Ferraz, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e Eduardo Chedid, diretor do PicPay. Na ocasião, não houve prisões.

A sequência de operações reforça a percepção de que o BRB atravessa uma das fases mais delicadas de sua história recente. Entre suspeitas de fraudes, investigações sobre descontos indevidos e os desdobramentos do caso Master, a instituição acumula crises sucessivas que extrapolam a esfera financeira e passam a influenciar diretamente o ambiente político do Distrito Federal.

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Carolina Paiva é Editora do Quadradinho em Foco

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