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Sinônimo de coragem

Mesmo sem testosterona, liberdade e independência são valores do cidadão

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Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto de Arquivo/Valter Campanato

Como qualquer brasileiro com um mínimo de bom senso e outro quantitativo de honestidade, não acho que vivo no melhor dos mundos. Estou com minha testosterona nas alturas, mas, a exemplo de outros presidentes populares que já tivemos, não vejo em Luiz Inácio um príncipe como administrador, um lorde como negociador, um sábio como articulador, tampouco magnânimo no trato da coisa pública. Seu passado fala por si. Entretanto, usando de minha capacidade de reprodutor alfa, asseguro que Lula está a léguas de ser um imperador do tipo déspota. Ou seja, ainda é o melhor que temos para o país.

Ele talvez deixe a desejar em questões simplórias, como agradar a gregos e baianos, mas leva dez com louvor no quesito defesa da democracia. Se, para alguns, a liberdade é uma coisa que lembra o científico escroto, isto é, um saco, para mim ela é, na acepção da palavra, a própria ereção. Sintetizando, liberdade não é somente um projeto mal-acabado de um país que luta para dar certo, mas o substantivo que define o grau de independência legítimo que um cidadão, um povo ou uma nação elege como valor supremo, como ideal. Eu quero mais liberdade e menos testosterona.

De acordo com o Dicionário de Filosofia, em sentido geral, o termo liberdade é a condição daquele que é livre. É a capacidade de agir por si próprio, o oxigênio da alma. É por ela que luta todo o brasileiro que se inclui no perfil citado no primeiro parágrafo. Eu sou um deles. Ainda nos cueiros, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) sempre foi livre. Tanto que fez da vida dele um defensor clássico da testosterona. Segundo o comediante Whindersson Nunes, o deputado bolsonarista até debaixo dos lençóis parece não entender bem dos ovos.

Se entendesse, deveria saber que qualquer homem cisgênero, aquele que se identifica com o sexo que nasceu, tem testosterona. Saberia também que a tal da testosterona não é sinônimo de coragem. Conheço homens de valor que não têm os ovos, mas são tão corajosos como os denominados imbrocháveis. O fato a ser tratado é simples. Se não tiver o “testo” escrito na testa, o problema deve ser informado com a máxima urgência ao urologista, mestre em toba, ovos bambos e, quando tem tempo, em próstata, considerada pelos desentendidos como um órgão semelhante às trompas femininas. Só se for a de quem acha isso. A minha é macho até com X maiúsculo.

Falando sério, o homem sem testosterona sofre de “hipogonadismo”, isto é, mau funcionamento das gônadas, o popular e sempre pendular testículo. Nesse caso, só hormônios. Não é de bom alvitre citar, por qualquer razão, o nome de um deputado que se fantasia para atacar adversários. Cito exclusivamente para comentar a disparidade de Nikolas ao lembrar, durante ato em favor do ex-presidente no Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro e Silas Malafaia como homens com testosterona até a boca e exemplos a serem seguidos. A ser verdadeira a afirmação, que ele faça bom uso deles. Eu prefiro experimentar coisas mais leves, suaves e perfumadas.

Curioso é que, paralelamente, o deputado “patriota” comparou o ministro Alexandre de Moraes aos ditadores Josef Stalin e Kim Jong-un. Também não sou simpático ao déspota soviético, muito menos ao tirano norte-coreano. Entretanto, como eles enfrentaram e enfrentam o mundo para impor suas vontades políticas, obviamente que a testosterona de ambos pulula a céu aberto. Portanto, se há alguém no Brasil com aquilo roxo e apinhado de testosterona ainda é Xandão, o homem dos ovos de ouro, aquele que jubilou o imbrochável e peitou milhares de destemidos machões que até hoje choram quando a noite chega na Papuda. A pergunta que não quer calar é simples: Afinal, qual é o exemplo a ser seguido?

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Wenceslau Araújo é Editor-chefe de Notibras

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