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Efeito dominó

Master derruba Jaques da liderança no Senado

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Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

O senador Jaques Wagner (PT-BA) entregou nesta quarta-feira, 24, o cargo de líder do governo no Senado, seis dias depois de se tornar alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal e acompanhada pela Procuradoria-Geral da República.

A decisão foi comunicada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião realizada no Palácio da Alvorada. Segundo interlocutores presentes no encontro, Wagner reafirmou que jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer interesses do Banco Master ou de qualquer instituição financeira investigada no escândalo.

O senador disse sentir-se “injustiçado” pelas suspeitas levantadas durante a operação, mas argumentou que sua permanência na liderança poderia ampliar o desgaste político do governo em um momento sensível da preparação para a campanha eleitoral de 2026.

A saída ocorre após dias de forte pressão nos bastidores de Brasília. Embora mantenha a condição de investigado sem denúncia formal apresentada até o momento, o líder petista passou a ser visto por integrantes do Palácio do Planalto como um fator permanente de desgaste para a administração federal. Lula, que mantém relação pessoal e política com Wagner há mais de quatro décadas, evitou qualquer movimento público para afastá-lo, mas esperava que a iniciativa partisse do próprio senador.

Aliados relatam que Wagner resistiu até os últimos dias à possibilidade de deixar o posto. O argumento era de que um afastamento imediato poderia ser interpretado como reconhecimento implícito de culpa. Com a ampliação da repercussão do caso, porém, prevaleceu a avaliação de que a permanência na liderança ofereceria munição à oposição e manteria o governo sob pressão constante.

A Operação Compliance Zero investiga supostas irregularidades envolvendo operações financeiras atribuídas ao Banco Master e seus desdobramentos políticos. Na fase deflagrada na semana passada, a Polícia Federal cumpriu mandados e medidas cautelares contra diversos investigados, incluindo Wagner e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Entre as determinações judiciais estão restrições de contato entre investigados, monitoramento eletrônico e suspensão de passaportes.

A oposição já vinha articulando novos movimentos para ampliar as investigações no Congresso, incluindo a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a apurar as relações entre o Banco Master, instituições financeiras parceiras e agentes públicos. O episódio aumenta a pressão sobre o Palácio do Planalto justamente no momento em que o governo tenta reorganizar sua base de apoio para enfrentar a disputa eleitoral de outubro.

Nos bastidores do PT, a avaliação é que a saída de Wagner busca preservar o governo de novos desgastes e impedir que a crise ultrapasse os limites da investigação policial para se transformar em um problema permanente de natureza eleitoral. Ainda assim, dirigentes petistas admitem reservadamente que o caso representa mais um desafio para Lula num cenário político que já vinha sendo marcado pela polarização e pela antecipação da sucessão presidencial.

Jaques Wagner é um dos mais influentes quadros históricos do Partido dos Trabalhadores. Ex-governador da Bahia, ex-ministro da Defesa e ex-ministro-chefe da Casa Civil, ele continuará exercendo normalmente o mandato de senador enquanto busca demonstrar sua inocência perante as investigações em curso.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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