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Esquema sofisticado no Porto de Salvador

Seis pessoas são condenadas a até 20 anos por tráfico internacional

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Autor/Imagem:
Salete Sampaio - Foto Divulgação

Seis integrantes de uma complexa organização criminosa foram condenados pela Justiça Federal a penas que chegam a até 20 anos de prisão em regime fechado. O grupo operava um esquema de tráfico internacional de entorpecentes a partir do Porto de Salvador e foi desarticulado pela Polícia Federal por meio da “Operação Descontaminação”. A decisão judicial atende a uma denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Federal (MPF) e foi divulgada nesta quarta-feira (24).

Além do tráfico internacional de drogas, os réus — cujas identidades não foram reveladas pelo órgão — foram condenados por crimes como organização criminosa, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e falsificação de documento público. De acordo com o MPF, as punições aplicadas variaram conforme a gravidade da participação de cada réu, estabelecendo penas que vão desde 12 anos e 3 meses até o teto de 20 anos, 8 meses e 7 dias de reclusão. A sentença também determinou o pagamento de multas pecuniárias, mas os condenados ainda podem recorrer da decisão.

As investigações apontam que a quadrilha utilizava uma técnica refinada de contrabando internacional conhecida no meio policial como “rip-on/rip-off”. Essa estratégia consiste na inserção clandestina de grandes carregamentos de entorpecentes em contêineres pertencentes a exportadores legítimos que utilizavam o terminal baiano. Toda a ação ocorria sem o conhecimento ou o consentimento dos proprietários das cargas, que tinham suas mercadorias utilizadas como “disfarce” pelos criminosos.

O principal objetivo da organização criminosa era aproveitar a robusta estrutura logística portuária da capital baiana para enviar grandes volumes de cocaína rumo ao continente europeu. Os principais destinos mapeados pelas autoridades eram portos de grande movimentação na Holanda, na Bélgica e na Espanha. Para que o fluxo de drogas funcionasse sem despertar suspeitas, o grupo estruturou uma rede especializada com clara divisão de tarefas, uso de informações privilegiadas e apoio logístico sofisticado.

O funcionamento do esquema dependia de um “núcleo de inteligência” infiltrado, composto por funcionários do próprio terminal portuário. Esses colaboradores tinham a função de acessar os sistemas internos de monitoramento para rastrear e selecionar as cargas ideais. A preferência era por contêineres que estivessem estrategicamente posicionados nos chamados “pontos cegos”, locais do pátio que ficavam totalmente fora do alcance visual das câmeras de segurança do porto.

Para garantir o acesso físico aos locais de armazenamento, os criminosos utilizavam veículos clonados, caracterizados com as logomarcas de empresas prestadoras de serviço legítimas que atuavam no terminal. Além da camuflagem visual, a organização subornava vigilantes portuários para conseguir burlar as vistorias de rotina nas portarias. A infiltração era tão profunda que técnicos de refrigeração eram cooptados para sabotar peças dos contêineres de propósito, gerando falsos chamados de manutenção para justificar a permanência prolongada dos criminosos na área restrita.

Uma vez dentro do perímetro e com acesso ao carregamento, os criminosos rompiam os lacres originais das portas dos contêineres para esconder as sacolas repletas de drogas entre as mercadorias lícitas. Para esconder o crime, os lacres violados eram substituídos por réplicas falsificadas de alta tecnologia, produzidas com gravação a laser. Essas cópias reproduziam com exatidão a numeração verdadeira do lacre original, o que impedia que a fiscalização aduaneira notasse qualquer indício de violação antes que a carga atracasse no destino final.

A condenação desse grupo representa um golpe importante contra a logística do tráfico que utiliza a costa do Nordeste brasileiro como trampolim para o mercado europeu. A sentença proferida pela 2ª Vara da Justiça Federal reforça o cerco preventivo em infraestruturas críticas e expõe a necessidade de vigilância constante sobre os processos internos dos terminais. Como a decisão é de primeira instância, os advogados de defesa dos envolvidos deverão avaliar as medidas cabíveis para ingressar com recursos nos tribunais superiores.

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