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Choró

PF e Ministério Público prendem filho de ex-prefeito foragido

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Autor/Imagem:
Bartô Granja - Foto Divulgação

O filho do ex-prefeito cassado do município de Choró, Carlos Alberto Queiroz, conhecido politicamente como Bebeto Queiroz, foi preso em flagrante pela Polícia Federal nesta quarta-feira (24). A captura ocorreu sob a suspeita de lavagem de dinheiro durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. A ofensiva foi coordenada em uma ação conjunta entre a Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral, resultando também no confisco de diversos documentos que serão submetidos à análise pericial dos dois órgãos.

O alvo central das investigações, o ex-prefeito Bebeto Queiroz, permanece foragido da Justiça desde dezembro de 2024. As autoridades apontam o político como o líder de uma sofisticada organização criminosa especializada em fraudar licitações públicas e desviar emendas parlamentares no estado do Ceará. A prisão de seu filho, que não teve a identidade oficialmente revelada, ocorreu justamente no âmbito das investigações que tentam mapear o fluxo financeiro do grupo e localizar o paradeiro do ex-gestor.

A trajetória judicial de Bebeto é marcada por sucessivas reviravoltas desde que venceu as eleições municipais de 2024 em Choró, embora nunca tenha chegado a tomar posse. Ele foi preso temporariamente em novembro daquele ano devido a fraudes em contratos de combustíveis da prefeitura. Ele obteve a liberdade no mês seguinte, mas passou à condição de foragido logo após a Justiça expedir um novo mandado de prisão por outros crimes correlatos. Diante do sumiço, a defesa do político limitou-se a informar que se manifestará apenas nos autos do processo.

Em decorrência dos escândalos e das investigações, a Justiça Eleitoral cassou a chapa liderada por Bebeto em abril de 2025, decisão que foi integralmente mantida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) em agosto do mesmo ano. O esvaziamento do poder político do grupo no município forçou a convocação de uma eleição suplementar fora de época, realizada no último dia 1º de março. No entanto, um relatório posterior da PF revelou que os crimes em Choró eram apenas a ponta do iceberg de um esquema muito maior.

Conforme detalhado no relatório da Polícia Federal, o esquema de corrupção contava com a coautoria do deputado federal Júnior Mano (PSB). A assessoria jurídica do parlamentar emitiu uma nota oficial lamentando o vazamento de informações sigilosas e argumentando que a apuração não encontrou elementos relevantes contra ele. Apesar da negativa, os investigadores sustentam que a dupla operava uma rede de financiamento ilegal de campanhas eleitorais e desvio de verbas em dezenas de municípios cearenses.

O modus operandi da organização consistia na venda e distribuição direcionada de emendas parlamentares controladas pelo deputado. Bebeto Queiroz atuava como o intermediário principal, negociando o envio dos recursos para prefeituras alinhadas aos interesses do grupo. Em troca do direcionamento das verbas federais, a quadrilha cobrava uma espécie de “taxa de retorno” ilegal, cujo percentual exigido das administrações locais variava rotineiramente entre 12% e 15% do valor total repassado.

Para internalizar e ocultar os recursos desviados, Bebeto utilizava uma rede de empresas que mantinham contratos ativos com o poder público no interior do estado. O dinheiro obtido por meio do superfaturamento ou de serviços fantásticos era usado tanto para o enriquecimento ilícito dos membros quanto para a compra de votos em benefício de candidatos aliados. Uma vez eleitos, esses prefeitos cooptados retribuíam o apoio garantindo novos contratos direcionados para as mesmas empresas do esquema.

A movimentação financeira do grupo atingiu cifras milionárias e operava de forma híbrida, misturando transferências eletrônicas via Pix e saques vultosos de dinheiro em espécie para apagar os rastros bancários. Uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU) analisou o fluxo financeiro de nove das dez empresas suspeitas de integrar a rede. O órgão constatou que, entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025, esse grupo de firmas recebeu cerca de R$ 455,5 milhões dos cofres de prefeituras cearenses.

A inteligência da Polícia Federal identificou uma lista contendo pelo menos 71 prefeituras do Ceará que possuíam vínculos políticos com o deputado Júnior Mano. Desse total mapeado, candidatos apoiados pela organização criminosa conseguiram vencer o pleito em aproximadamente 50 municípios. As autoridades continuam cruzando dados para determinar quais dessas lideranças de fato receberam dinheiro ilegal ou fraudaram seus processos licitatórios para beneficiar o caixa da quadrilha.

A recusa de Bebeto Queiroz em se apresentar à Justiça é vista pelos investigadores como uma estratégia deliberada de obstrução de justiça, dificultando a colheita de depoimentos e o andamento processual. O mandado de prisão preventiva expedido pelo TRE-CE contra o ex-prefeito segue inserido no sistema nacional de procurados e possui validade em todo o território brasileiro. Com a prisão de seu filho e a apreensão de novos documentos, a PF espera asfixiar financeiramente a liderança do esquema.

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