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Sapeaçu

Família e amigos se despedem de homem morto por espada junina

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Autor/Imagem:
Malu Oliveira - Foto Divulgação

O corpo de Tarcísio Sodré Ramos do Nascimento, de 47 anos, foi sepultado na manhã desta quinta-feira (25) no Cemitério Bosque da Paz, em Salvador. Ele faleceu na noite da última terça-feira (23), véspera de São João, após ser atingido no rosto por uma espada junina enquanto soltava fogos de artifício no município de Sapeaçu, localizado no Recôncavo baiano. O enterro reuniu dezenas de amigos e familiares profundamente abalados pela perda repentina do ente querido.

Durante a cerimônia, a tia de Tarcísio, Delzuite Ramos da Cruz, prestou uma homenagem emocionante e destacou a generosidade do sobrinho. Segundo ela, o homem possuía um coração grandioso e era totalmente dedicado a amparar quem precisasse, chegando a colaborar ativamente em um projeto social de distribuição de cestas básicas e culturais. Emocionada, ela relembrou o desejo constante do sobrinho em retribuir à vida todas as coisas boas que havia recebido.

O acidente fatal aconteceu na Rua Doutor José Alfredo de Melo, no bairro da Jaqueira, em Sapeaçu. Policiais militares da 27ª CIPM foram acionados e encontraram a vítima caída após a explosão do artefato. Tarcísio chegou a receber os primeiros socorros e foi levado às pressas para uma unidade de saúde da região, mas infelizmente não resistiu à gravidade dos ferimentos. A Delegacia Territorial de Sapeaçu já instaurou uma investigação e aguarda os laudos periciais do Departamento de Polícia Técnica (DPT) para esclarecer a dinâmica do ocorrido.

Diante da tragédia, a Prefeitura de Sapeaçu manifestou profundo pesar nas redes sociais e decretou luto oficial, cancelando o restante dos festejos juninos da cidade em respeito à família. Tarcísio era sobrinho da escritora Edelzuite Sodré, uma conhecida colaboradora do município. O trágico episódio acendeu o alerta na saúde pública do estado: a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) informou que, entre os dias 19 e 25 de junho, 99 pessoas foram atendidas com queimaduras em hospitais públicos baianos, sendo 14 delas feridas especificamente em “guerras de espadas”.

Em resposta ao ocorrido, a Polícia Civil emitiu uma nota oficial reforçando que o porte, posse, transporte e uso de espadas de fogo continuam estritamente proibidos em todo o território baiano. A corporação alertou que os infratores flagrados com esses materiais podem ser enquadrados no Estatuto do Desarmamento, enfrentando penas de três a seis anos de reclusão. A polícia sublinhou ainda que, apesar de discussões anteriores junto ao Ministério Público, nenhuma regulamentação para o uso controlado desses explosivos foi efetivamente implementada até o momento.

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