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Dr. Leo

Berne e bicheira: diferenças, sintomas e tratamento em animais domésticos

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Autor/Imagem:
Leonardo Bernar - Foto IA

Berne e bicheira são miíases que geram prejuízos e sofrimento para animais de produção e também para cães e gatos. Embora as duas sejam causadas por larvas de moscas, a forma de infestação, o local de ação e os riscos são distintos. Saber diferenciar cada caso ajuda no diagnóstico rápido e evita complicações graves.

O berne é causado pela larva da mosca-varejeira Dermatobia hominis. Seu ciclo é indireto. A mosca adulta faz a cópula em até 24 horas e deposita os ovos no abdômen de outros insetos, como mosquitos e moscas menores. A incubação nesses vetores leva de 6 a 8 dias.

A infestação ocorre quando o inseto vetor pousa na pele de bovinos, equinos, ovinos ou bubalinos. O calor do corpo faz as larvas eclodirem e penetrarem na pele íntegra do animal. Cada larva forma um nódulo individual sob a pele e se alimenta de tecido vivo, sem atingir a musculatura. Em cada orifício existe apenas uma larva de berne.

A bicheira, ou miíase, é provocada pela larva da Cochliomyia hominivorax. Diferente do berne, ela causa miíase cutânea traumática. A fêmea é atraída por sangue, secreções ou tecidos necrosados e deposita centenas de ovos diretamente na borda de feridas expostas, cortes, umbigo de recém-nascidos ou mucosas.

Os ovos da C. hominivorax se transformam em larvas em menos de 24 horas. Elas penetram na lesão e começam a devorar pele, músculo e tendões, abrindo galerias que destroem os tecidos adjacentes. A ferida aumenta rápido e libera um odor fétido característico, que atrai mais moscas para novas posturas.

Em cães e gatos, a bicheira também é comum. A mosca varejeira é atraída por lesões pré-existentes, áreas úmidas na pele ou até por acúmulo de secreção. As larvas eclodem e se alimentam do tecido vivo, causando dor intensa, inflamação e risco de infecção generalizada se não tratadas a tempo.

Resumindo a apresentação clínica: o berne surge na pele íntegra como um nódulo fechado com respiro central e uma larva dentro. A bicheira depende de ferimento aberto e forma lesões profundas, úmidas, com dezenas de larvas se movimentando e destruindo o tecido sem limite.

Os sinais clínicos da bicheira em pets exigem atenção imediata. O principal é a ferida com larvas esbranquiçadas se mexendo. Outros sintomas incluem mau cheiro muito forte de necrose, dor e inchaço no local, fazendo o animal mancar ou lamber a área sem parar. Mudanças de comportamento também são alerta. O cão ou gato pode apresentar perda de apetite, apatia, prostração e até febre. Em animais de produção, nota-se queda na produção de leite e carne, estresse e danos ao couro. Ambos os casos podem evoluir para infecções secundárias graves.

O tratamento deve ser feito por médico veterinário. A primeira etapa é a remoção mecânica das larvas com pinça. Casos extensos, profundos ou em regiões sensíveis podem exigir sedação do animal para retirada completa sem causar mais dor.

Depois da remoção, a área precisa ser raspada e desinfetada. Todos os tecidos mortos devem ser retirados para evitar novas infecções. O veterinário indicará parasiticidas específicos para matar larvas remanescentes, além de antibióticos para controlar bactérias e anti-inflamatórios para aliviar a dor.

Atenção redobrada com gatos. Nunca use spray prata, mata-bicheira ou qualquer produto com organofosforados sem orientação estrita do veterinário. Felinos são extremamente sensíveis e esses compostos são altamente tóxicos para eles, podendo causar intoxicação grave e morte.

A prevenção é a melhor estratégia para berne e bicheira. Em animais de produção, faça cura correta do umbigo de bezerros, trate qualquer ferimento imediatamente e use repelentes no rebanho. Para pets, mantenha a higiene, inspecione a pele após passeios, não deixe feridas expostas e cuide de áreas úmidas. Telas e controle de moscas no ambiente também reduzem muito o risco.

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Instagram: @leoobernar

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