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Finada liderança

Trump precisa entender que o Brasil é diferente

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Acostumado a tomar decisões e a tirar conclusões sem consultar os assessores que, supostamente, ele escolheu a dedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comete erros em cima de erros. Alguns são recorrentes, crassos e comprometedores. Outros, além de graves, geram prejuízos incalculáveis para a economia norte-americana. Entretanto, a pior das falhas se reflete diretamente na claudicante imagem de líder mundial que ele tenta, mas não consegue emplacar. E continuará tentando, sem possibilidade alguma de um dia ser o dono do mundo.

Antes de me alongar, com todas as possíveis vênias, os americanos já tiveram mandatários infinitamente mais educados, qualificados e, sobretudo, capacitados. Popularizando o palavreado, os EUA mereciam coisa melhor. Recentemente, o Brasil também viveu dias, semanas, meses e anos de percalços decorrentes de lideranças forjadas na mentira e no amontoado de erros, alguns considerados gafes políticas e outros reconhecidamente por falta de competência.

Dentro e fora dos Estados Unidos, as principais críticas e apontamentos de erros associados ao governo Trump incluem a condução de políticas externas e comerciais agressivas, decisões polêmicas em conflitos do Oriente Médio e graves crises institucionais que culminaram em processos de impeachment neste e no mandato anterior. Por conta da necessidade de querer se mostrar como o senhor dos anéis, o líder republicano vem perdendo aliados tradicionais e vê seu capital político minguar celeremente.

Tanto nos EUA quanto no Brasil, não foi falta de aviso que o urubu de baixo pode cagar na cabeça do de cima. Por aqui, uma finada liderança subestimou um vírus que acabou matando mais de 700 mil brasileiros e, mesmo com patente bem abaixo da média, tentou comandar um golpe de Estado. Lá, além de atritos contínuos com líderes do G7, incluindo a poderosa China e membros da OTAN, o pretenso mestre dos mestres subestimou a resiliência do Irã em confrontos direitos e na manutenção das sanções contra os aiatolás.

Embora erre mais do que acerte, tudo que vem de Donald Trump tem objetivos claros. O principal deles é a ingerência política e econômica nas demais nações. No caso do Brasil, o problema tem nome, sobrenome, CPF e, principalmente, o DNA e a competência política que ele, Trump, não tem. Com absurda frequência, os discursos referentes ao Brasil e a Lula contêm erros factuais, falhas de contexto e até adjetivações pessoais contra um chefe de Estado. Para Trump, Lula já foi “dinâmico” e hoje é “volátil”. Para Lula, Trump é apenas o Trump. Em síntese, até os “amigos” e os inimigos, o presidente estadunidense escolhe errado.

Por exemplo, arrumar inimizade com os aiatolás é o mesmo que entrar, à noite e descalço, em um ninho de cascavéis. Brigar com Xi Jinping é querer “pegar” o leão na frente da leoa, e atritar-se com Vladimir Putin é sinônimo de praga eterna. Na mesma proporção, ser próximo de Benjamin Netanyahu é uma literal tentativa de levantar o que faz tempo já morreu. Por fim, emendar uma “ficância” com a família Bolsonaro é, como se diz no Brasil de Lula, caixão e vela preta. Para quem não respeitou sequer os imigrantes, cuja maioria o apoiou contra Kamala Harris, é bom colocar as madeixas douradas de molho, antes que as urnas de novembro o devolvam ao deserto do Arizona.

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