Curta nossa página


Flor da idade

Chico, profeta, antecipou fim da hegemonia masculina no seio do clã bolsonarista

Publicado

Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo

Enquanto a caravana “amarelinha” do Brasil passeia pelos gramados norte-americanos em busca de um título que não vem há 24 anos, aquela família que não ama o Brasil, mas ama o Trump, que diz amar o primogênito, que não ama a primeira-dama, que viveu o primeiro drama, mas que hoje ama a Bia, que ama a Damares, que não ama o Carlos, que ignora os catarinas, que, em nome do Jair, engolem o Renan, que não quer saber do Eduardo, que só tem olhos para o Rubio, que amava tanto Cuba, mas hoje só ama o Donald, que não ama ninguém, nem a ele mesmo

Nada a ver com a canção Flor da Idade, do mestre Chico Buarque, mas tudo faz crer que “a gente faz hora, faz fila na vila do meio-dia” para ver se consegue alcançar o hexa antes que no Japão surja um novo dia, mas se desencanta vendo aquela família que, desunida, luta pelo poder lavando a roupa suja no meio da rua. Pior do que isso só o candidato familiar convocar formalmente os Estados Unidos para, caso ganhe a eleição em outubro, compor um governo de transição. Coisas de quem só pensa em si mesmo.

Para azar dele e sorte de nosotros, talvez ele ganhe experiência para performar como serviçal do tio Donald Trump, que jura amor eterno pelo Irã, morre de medo dos aiatolás, cospe na imagem de Netanyahu, quer distância dos Bolsonaro, não quer mais saber de Maduro, de Putin e de Luiz Inácio, porque soube que Lula e a maioria dos brasileiros são mais próximos de Xi Jinping do que dos EUA, que odeia a China e todos os que se aproximam do poder americano.

Distante dessa praga chamada amor, o amoroso clã Bolsonaro vive às voltas com as emoções do tipo pastelão que o mundo da política traz. No dia em que o Brasil deve mostrar aos também asiáticos japoneses com quantos paus se faz um porta-aviões, a família briga interna e ferozmente pelo poder externo. Graças ao deus de tudo e de todos, o conflito só contamina a eles, obrigando os demais brasileiros a torcer para que, entre mortos e feridos, sobre somente os soluços.

Sei que em briga de marido, mulher, madrasta e filhos não devemos lembrar do que passou. A faca está enterrada em Juiz de Fora. A respeito da confusão familiar, a retreta representa a necessidade de um indivíduo se sobressair ou impor sua vontade sobre o outro. Nas famílias estáveis, esse tipo de balbúrdia normalmente é gerido à base do diálogo. Nas instáveis, são palavrões e ameaças, o que, além de gerar atritos e desgastes emocionais, compromete o equilíbrio de vínculos afetivos e políticos. O enredo não é novo. Aliás, é tão antigo que já caiu em desuso.

Resta saber se a briguinha com temática de novela mexicana é somente uma disputa política ou implica em questões mais graves como, por exemplo, a troca de comando na dinastia bolsonarista. Se for essa a causa da contenda, a hegemonia masculina do clã realmente está com os dias contados. Digo isso porque, como mulher, lembro de uma frase que me transformou na guerreira que hoje sou: O homem mata um leão por dia. A mulher mata, corta, tempera, serve e ainda lava a louça. Tudo isso antes de se eleger senadora. Aí não haverá soluço capaz de segurá-la.

……….

Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras    

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.