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Falsos profetas

Brasil da polarização é celeiro de corruptos

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Editoria de Imagens/IA - Arquivo

Um dia alguém me disse que política, religião e futebol não se discutem. É claro que discordei. Na minha opinião de vivente desde o século passado, entendo que os três temas podem – e devem – ser discutidos e debatidos racionalmente, desde que com pessoas que queiram somente debater e discutir. Como não discutir, dialogar e argumentar sobre esses assuntos. Será que pensar diferente é proibido? É ofensivo discorrer a respeito de política e de futebol?

Ter consciência das diferenças é a grande benção de Deus para o ser humano. Infelizmente, não no Brasil da chamada polarização, na qual dá Ibope a situação se manifestar contra qualquer posicionamento da oposição. A recíproca é absolutamente verdadeira. O que seria do mundo se todos fôssemos iguais. Que bom que eu não tenho os mesmos gostos musicais, de alimentos, de cores e de prazeres dos meus vizinhos. Um mundo sem criatividade é o fim do mundo.

Considerando que toda unanimidade é burra, nada mais natural que, como o coração e a bunda, cada um viva com o seu ou com a sua. A diferença nos dá gosto pela vida e, aceitemos ou não, nos torna felizes, mais confiantes e eficazmente produtivos. Seguindo os ensinamentos do historiador e professor Leandro Karnal, o que deve ser evitado é discutir tais temáticas com fanáticos. Com esses não há como argumentar, muito menos contra-argumentar. O máximo que conseguiremos é agravar o fanatismo deles.

Partindo do pressuposto do respeito, que importância tem para os outros o time de minha preferência ou a religião que professo? Embora não tenha vinculação partidária, tenho lado e, por isso, também acho que a escolha político-partidária é uma questão de foro íntimo. O ideal é que, especificamente na política, todos entendêssemos que a ignorância e a conivência de milhões são as responsáveis diretas pela inclusão nos diferentes tipos de poder de pessoas corruptas, manipuladoras, egoístas, corporativas e até ditadoras.

Realmente futebol, religião e política são questões emocionalmente palpitantes. Por isso, até acho que, dependendo do distinto público, melhor expor e não impor nossas opiniões. Ou seja, o ideal é que, democraticamente, participemos dos debates, sem entrar no mérito das discussões. Curioso é que em determinadas rodas com os dois lados, a ordem é não discutir tais questões, pois, após o terceiro ou quarto gole, todos acham que têm razão, inclusive os sem razão alguma.

Para mim, os estultos aceitam debater futebol, mas não admitem incluir política e religião nas “conversas” de grupos. Por isso, os corruptos permanecem no poder e os falsos profetas continuam a pregar mentirosamente. Coisas daqueles que preferem viver como rebanho. Aliás, desde que o substantivo coletivo se consolidou como adjetivo da turba bolsonarista, poucos têm dúvida de que o “rebanho” ama odiar aquele que pensa de forma diferente. O problema deles não é tanto com a opinião, mas com a audácia dos antagonistas de querer pensar por si mesmos, o que eles não conseguem.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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