Curta nossa página


Atentado contra filha de presidente do Ceará

Digital em embalagem de bombom leva à prisão de acusados

Publicado

Autor/Imagem:
Bartô Granja - Foto Divulgação

Um laudo técnico emitido pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) tornou-se a prova crucial para o avanço das investigações sobre o atentado contra a filha de João Paulo Silva, presidente do Ceará Sporting Club. Os peritos conseguiram isolar e identificar um fragmento de impressão digital pertencente a Kaio Fellype Rodrigues Isackson da Costa na embalagem de um dos bombons enviados à adolescente. O detalhe científico fortaleceu os indícios de autoria e ajudou a desvendar a logística por trás da ação criminosa.

O crime ocorreu em 25 de junho, quando a filha do dirigente alvinegro estava em sua escola de teatro. Na ocasião, a jovem recebeu uma encomenda que simulava ser um presente, composta por um buquê de flores e uma caixa de chocolates. No entanto, dentro da embalagem, além dos doces, havia um bilhete com a mensagem “FORA JP SAFADO”, direcionada ao mandatário do clube, e um artefato explosivo improvisado equipado com pavio.

Diante da gravidade dos fatos, a Polícia Civil do Ceará, por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), agiu rapidamente e prendeu em flagrante Kaio Fellype e Sérgio Tibúrcio dos Santos. A dupla, apontada como integrante de uma torcida organizada do clube, foi capturada sob a acusação inicial de associação criminosa. Os investigadores constataram que os suspeitos agiram de forma coordenada e com uma clara divisão de tarefas para a execução do ato.

Nesta quarta-feira (1º), o caso passou por análise do Poder Judiciário durante a audiência de custódia dos presos. Com base no laudo papiloscópico da Pefoce e na gravidade da conduta, a juíza plantonista converteu a prisão em flagrante de Kaio Fellype e de Sérgio Tibúrcio em prisão preventiva. Na decisão, a magistrada enfatizou que o material genético e as impressões digitais colhidas na cena servem como elementos essenciais para vincular os custodiados à fase de preparação do artefato.

A decisão judicial que manteve os suspeitos presos por tempo indeterminado também levou em consideração o elevado perigo comum gerado pela ação. O artefato explosivo foi enviado de forma premeditada para uma instituição de ensino que estava em pleno funcionamento. A conduta colocou em risco iminente a integridade física de dezenas de estudantes, professores e funcionários que circulavam pelas dependências da escola de teatro no momento da entrega.

Os relatórios policiais apontam que o grupo utilizou motocicletas com placas adulteradas e encobertas durante o trajeto até o colégio. Para a Justiça, esse fato evidencia um planejamento prévio minucioso e uma tentativa clara de ocultar a identidade dos envolvidos para dificultar o trabalho posterior das forças de segurança. A gravidade concreta da conduta motivou a decretação da medida extrema para assegurar a ordem pública e proteger as vítimas.

Durante o desdobramento da audiência, a magistrada anotou nos autos que o investigado Sérgio Tibúrcio dos Santos já possui histórico criminal. Ele havia sido detido em flagrante pelo crime de adulteração de veículo automotor, oportunidade na qual recebeu o benefício de cumprir medidas cautelares alternativas em substituição à prisão. Para reforçar o conjunto probatório, a Justiça autorizou a coleta compulsória de material biológico de ambos para a extração do perfil de DNA.

Paralelamente às prisões do atentado, a operação da Draco resultou na captura de um terceiro indivíduo que estava em um dos locais alvos das buscas. O homem foi flagrado em posse de cerca de 9 kg de skunk, 1 kg de cocaína, balanças de precisão e vestimentas de uma das torcidas organizadas do Ceará. Diante do flagrante, ele acabou autuado pelo crime de tráfico de drogas, e a polícia agora apura a extensão de seu envolvimento com o núcleo que planejou o ataque.

O contexto por trás do atentado envolve a crise institucional e os protestos de torcedores em frente à sede do Ceará, no Bairro Porangabuçu. O presidente João Paulo Silva vem sofrendo forte pressão política devido ao desempenho do time em campo, sob cobranças intensas das organizadas pelo retorno do clube à Série A do Campeonato Brasileiro. Após a prisão dos criminosos, os envolvidos no ataque foram autuados por ameaça, explosão, associação criminosa e adulteração de sinal identificador.

Logo após o episódio, o dirigente João Paulo Silva utilizou suas redes sociais para desabafar sobre a violência sofrida por seus familiares. Ele relatou que a filha sofreu uma severa crise de pânico ao perceber o teor das ameaças e o material explosivo na caixa. O mandatário repudiou o ataque contra pessoas inocentes por disputa política e reforçou que todas as providências jurídicas e policiais estão sendo adotadas para blindar sua família e o Ceará Sporting Club.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.