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13 da sorte

Só alienado confunde o 22 na rede com esse mesmo número no dia das urnas

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Sem base legal, funcional, administrativa e pessoal para vencer uma disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se utiliza de todos os mecanismos ilegais para tentar mostrar ao eleitorado que o ignora que é um santo travestido de membro diferenciado do clã Bolsonaro. O Brasil inteiro sabe que não é, mas a maioria dos eleitores, inclusive alguns que afirmam ser representados por ele no Congresso Nacional, resolveu liberar e encerar a corda para que o enforcamento produzido, informado e arquivado pelo próprio candidato se torne público.

Com telhado de vidro quebrado, o senador lembra seus ídolos norte-americanos (Donald Trump e Marco Rubio), ambos mestres do cinismo, das incoerências e da perseguição àqueles que não rezam em suas cartilhas de déspotas. Democraticamente, respeito os votos de qualquer um dos 160 milhões de eleitores brasileiros. Como o meu vale ouro, jamais votaria em candidatos que se pintam como donos do mundo, conspiram criminosamente contra a própria pátria e têm a coragem de se fantasiarem de verde e amarelo em festas para as quais não foram convidados.

Para quem não se lembra, o candidato do conservadorismo tacanho e elitista se utilizou da vitória do Brasil sobre o Japão para posar de bom samaritano, de patriota soberbo e desaculturado politicamente. No auge de sua espalhafatosa estultice, se fantasiou de torcedor e publicou em suas redes que a Seleção Brasileira foi “salva” pelo 22, alusão clara ao número do Partido Liberal nas urnas eletrônicas. Em tempo, 22 é o número da camisa do jogador Martinelli, autor do gol que garantiu o Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo dos Estados Unidos.

Contrastando com o falso patriotismo, Flávio Bolsonaro escancarou críticas desnecessárias ao lateral Danilo, cuja falha resultou no gol japonês. Danilo foi esculhambado e hostilizado pelos bolsonaristas pelo simples fato de vestir a “amarelinha” com o número 13 da sorte às costas. É a prova da pequenez ou do pavor do candidato e de quem o apoia com o 13 que, ao que tudo indica, terão de engolir mais uma vez. Como Deus é justo, os grandes de espírito, de conhecimento e, sobretudo, de inteligência são majoritários e amplamente favoráveis à candidatura que os fanáticos pelo besteirol e pela mesmice abominam.

Considerando que sentimentos odiosos e estupidez são um defeito químico do time de perdedores, o pedido do clã para que o presidente dos EUA metesse o bedelho republicano na economia, na política e nas eleições brasileiras começa a dar frutos. Negativos, é claro. Com já li em Notibras, a ingerência no Brasil transformou Donald Trump no principal artilheiro da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Diante de todas essas evidências, não votar em brasileiro traíra é pura questão de lógica.

Sem querer, por absoluta falta de conhecimento ou de competência política, o candidato bolsonarista à Presidência da República abriu os olhos de milhões de votantes, entre eles, repito, alguns que até bem pouco tempo se diziam discípulos do mito que forjaram com areia do Lago Paranoá. Nessa reta final da campanha rumo ao Palácio do Planalto, muitos eleitores brasileiros começaram a rever o passado recente com outros olhos, de modo a compreender melhor que tipo de futuro eles querem para a Pátria Amada. Essa mudança de comportamento me remete a Winston Churchill, ex-primeiro-ministro do Reino Unido, para quem a diferença entre os seres humanos e os animais é que os animais nunca aceitariam um estúpido liderando a manada.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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