Silêncio histórico
A memória das mulheres não está nos livros, mas nas histórias contadas
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A história oficial sempre privilegiou grandes homens, guerras, presidentes e revoluções. Mas existe outra história correndo paralelamente: a história das mulheres anônimas.
A Michelle Perrot dedicou grande parte de sua obra a estudar justamente o silêncio histórico sobre as mulheres. Durante séculos, elas apareceram pouco nos documentos oficiais porque ocupavam principalmente o espaço doméstico, considerado politicamente irrelevante.
Mas a memória feminina não desapareceu. Ela foi transmitida de outra forma: por histórias contadas, receitas, cartas, diários, conselhos, fotografias guardadas, objetos herdados.
Existe uma história das mulheres que não está nos arquivos públicos, mas nas memórias familiares. Uma história feita de migrações, trabalhos invisíveis, violências silenciosas e resistências discretas.
Talvez escrever sobre mulheres seja também uma forma de arquivo. Um arquivo de experiências que a história oficial não registrou.