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Vozes da Literatura

A metamorfose ambulante e marginal do escritor Daniel D’Avila

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Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Arquivo Pessoal

Para o escritor e psicólogo Daniel D’Avila, a criação literária é um ato de liberdade absoluta que não aceita amarras, regras rígidas ou bloqueios criativos. Em uma conversa franca e pulsante para a coluna Vozes da Literatura, o autor revela que a voz de um escritor autêntico é moldada pelo cruzamento de duas forças elementares: o hábito devoto de ler desde os grandes clássicos até os autores modernos e o acúmulo de experiências profundas — sejam elas materiais, espirituais ou de sua própria subjetividade. Com um estilo visceral e avesso ao academicismo engessado, D’Avila afasta qualquer fantasma de página em branco e garante que o seu processo artístico flui livre, movido a ritmo, solidão e ilusão.

Nesta entrevista exclusiva, o autor das obras Desideratum, Vate! e do recente lançamento Davilianas compartilha como sua bagagem de leitura expande seus horizontes e atua diretamente como um catalisador de ideias, sem jamais aprisionar sua criatividade. Ao refletir sobre o papel da leitura crítica e da vivência cotidiana, ele desconstrói o mito do autor intocável para se posicionar como um artista independente, cuja única lei soberana é a liberdade total da linguagem. Acompanhe a seguir este bate-papo instigante.

Como a sua bagagem como leitor de grandes clássicos molda diretamente a sua voz na escrita criativa, e de que forma ler criticamente ajuda a destravar o seu próprio processo de criação?

Um escritor é atravessado por duas questões elementares, meu caro Watson. A saber: ler dos clássicos aos modernos. E em segundo ou primeiro lugar, ter experiências diversas na curta existência terrena, histórica e hodierna, não interessando se materiais, espirituais ou mesmo INTERNAS ETÉREAS. Por aí… No que tange a segunda questão, MEU PROCESSO DE CRIAÇÃO POR HORA NÃO ESTÁ TRAVADO COMO POR VEZES O SISTEMA…

A literatura contemporânea frequentemente flerta com a filosofia. Quais grandes pensadores ou correntes filosóficas servem de bússola moral e existencial para os conflitos que você desenvolve em suas páginas?

Bom, comecei na filosofia universal chamada nostalgia. Portanto, antes da literatura, conheci de Platão a Nietsche. Sem esquecer, todavia, o evangelho bendito de Cristo. Que, por sua vez, caiu em minhas mãos calejadas tardiamente, posso dizer assim. Contudo, quando de fato conheci a literatura, não parei mais na pista. Pois foi paixão à PRIMEIRA VISTA. Daí em diante, como num passe de mágica, meu destino foi traçado. Oráculo do senhor Paulo Leminski, por exemplo. Ou Jean Paul Sartre. E por aí rola a AURORA TENEBROSA E FIBROSA…

“Livros inteiros pouco se pratica no Brasil”

Diante da hegemonia das mídias digitais e do consumo rápido de informação, qual é o espaço e a relevância da crônica urbana hoje, especialmente se comparada ao tempo de mestres como Rubem Braga e Drummond?

A crônica está em tudo. Está na vida: está na cara! E não há mais nada, CARA PÁLIDA. Agora, de fato, livros inteiros pouco se pratica no Brasil. Ah, o bom e velho papel e lápis. Entretanto, as redes sociais são um instrumento relevante pro artista diria delinquente. INDEPENDENTE. PUNK ROCK. HIPPIE. Isto é, que paga pra publicar as suas obras completas. Logo, é um bom canal pra expressar em tempo real o seu amadurecimento artístico e pessoal. MARGINAL!!

Sendo a literatura e o jornalismo historicamente entrelaçados no Brasil, como você equilibra o rigor da observação dos fatos com a liberdade da invenção ficcional na sua produção literária?

OLHA, em termos literários tudo é misturado. Literatura, pra mim, não tem gênero textual estanque e rígido. Não, literatura é ritmo, solidão e ilusão. Por conseguinte, esse tipo de pergunta deve ser proposto a um jornalista. E não ao PURO ARTISTA! Até mesmo porque rigor não faz parte da autêntica literatura. Ao menos no que tange a estrutura. OU SEJA, A LIBERDADE TOTAL DA MINHA LINGUAGEM.

Escrever ficção em tempos de pós-verdade impõe novos limites. Como a literatura pode atuar como um refúgio da verdade humana ou uma ferramenta de denúncia em um mundo saturado de narrativas distorcidas?

A literatura é linguagem. É liberdade total. Em todos os sentidos possíveis. Enfim, é um mundo ENCANTADO.

O domínio das técnicas específicas de cada gênero textual liberta ou aprisiona a criatividade? Como o conhecimento formal de estrutura diferencia um autor amador de um escritor profissional?

Tem um poema no meu segundo livro VATE! que se chama PROFISSÃO POETA. Ah, maior sonho de todo grande esteta. É isso, cara!

Como você define o seu “lugar de fala” na literatura atual e de que maneira essa posição influencia a receptividade, as críticas e a conexão emocional com o seu público leitor?

A literatura é uma ação solitária em potência. Isto é, em ATO é construída na solidão do claustro, ou seja, na subjetividade mais egoísta possível. Contudo, em potência, é diversa como a natureza humana. Raul Seixas, um ídolo e amigo meu de longa data, sabia fazer poesia aparentemente simples, mas no fundo tinha uma complexidade extraordinária. Meus livros buscam esse posicionamento também. Ou seja, metamorfose ambulante é a minha única LEI!!

“De fato, em prol da literatura dei e dou o meu sangue sagrado”

O escritor Daniel Machi afirma que os autores precisam abandonar o egoísmo de querer aparecer individualmente em prol de algo maior, que é a própria literatura, criando redes de apoio mútuo para se fortalecerem e ganharem visibilidade. Você concorda com essa visão sobre o papel do coletivo no mercado editorial?

Claro. O Daniel meu xará fez dois prefácios pra mim já (Desideratum e Davilianas). De fato, em prol da literatura dei e dou o meu sangue sagrado. À semelhança de um mártir. Apenas pra que a poesia ganhe o seu devido espaço e lugar. Isto é, o primeiro. A identidade divina de um povo. A campeã a comunicar vida o tempo inteiro. Deusa a comandar nossa mente cansada e angustiada. E chega de explicações. Com efeito, o escritor Daniel Marchi tem quase toda a razão. Até porque, este escreve até mesmo folhetins em plena era digital. O Daniel é massa, é LOKO!

Escrever costuma ser um ato solitário, mas as oficinas de escrita criativa e os grupos de coletividade têm crescido. Como a troca de experiências e o feedback desses espaços impactam o refinamento dos seus textos? 

Não sei, sou um escritor clássico. Um monge beneditino enclausurado. No meu mundinho fechado. Mas também acho bacana RAP. Racionais MC é uma influência direta na minha vida e obra. Portanto, faz parte da minha história, isto é, da minha geração. Ou seja, do meu tempinho aqui na terra. Enfim, se expressar livremente e criticamente sobre tudo sempre é BACANA…!

O escritor Eduardo Cesario-Martínez defende uma visão otimista de que a melhor geração de escritores é a atual, e que as futuras serão ainda melhores graças à democratização da escrita pela internet. Como você enxerga esse impacto da tecnologia na qualidade da nova produção literária?

Uso as redes primeiro por uma necessidade quase biológica, estado que o artista carrega dentro de SI. Isto é, expressar ao público as suas intuições criativas e especulativas empíricas. Em segundo, é um bom instrumento no que tange as ferramentas. Embora, a questão na verdade seja outra. A saber: o capital eternamente buscará dominar as mentes pra obter cada vez mais lucro. E boa. Tá chata essa conversa!!

A escrita criativa é um espelho ou uma fuga? De que forma o seu trabalho literário funciona como uma ferramenta de diálogo interno com as suas próprias angústias e, ao mesmo tempo, de debate com os problemas do mundo?

Escrever é um conjunto de coisas. A saber; decisão, perseverança, loucura e muito divino tesão etc. Porquanto, a minha subjetividade intrapsíquica é percorrida e construída na relação social, familiar e cultural etc. Com efeito, armado com a liberdade e a criatividade, o escritor volta o seu olhar epistemológico e pessoal para o mundo. E então simplesmente aciona a sua metralhadora eletrônica. E PRONTO, como diz o baiano. Penso que seja por aí, amigo.

Muitos autores constroem carreiras polímatas, dividindo-se entre outras profissões (como a ciência, o direito ou a educação) e as letras. Como a sua atuação fora das páginas alimenta a profundidade e a diversidade temática dos seus cenários e personagens?

Bom. Sou psicólogo. Logo, lido com o ser humano integral. Portanto, material pra literatura também. Entre outros…

O mercado editorial atual exige que o autor seja também o seu próprio divulgador nas redes sociais. Como criar uma presença digital autêntica e engajar leitores sem deixar que as métricas de internet corrompam a essência e a profundidade da sua literatura?

Só posto os meus textos. Pois é um veículo. Logo, me sinto bem, pois comunico a minha ARTE! O meu olhar sobre as coisas sem filtro. Sem falar, todavia, que o mundo que vivo está rolando agora. Daí a relevância da instrumentalização arraigada na mais bela saída das entranhas do dolorido e humilde coração que chora abbá paizinho. É PRECISO ENCONTRAR UM CAMINHO! Até achei engraçado. Pois quase não tenho seguidor. Mas um poema curto viralizou. Está na orelha da minha obra lançada no ano corrente DAVILIANAS. O mesmo chama-se SILÊNCIO. Ao fundo, no reel, toca aquela pérola esplendorosa do Nelson Gonçalves (Naquela mesa). Ah, já valeu a pena, VIVA A POESIA EXTREMA!!

Pensando nos espaços democráticos de publicação, como o Café Literário ou portais de jornalismo cultural, qual a importância desses canais na oxigenação do mercado e na revelação de novos talentos que enfrentam barreiras nas grandes editoras?

Muito importante. Posto que o mercado sempre é cruel, falacioso, malandro, hipócrita, demagogo e opressivo. Mas como disse meu grande ídolo JESUS CRISTO: CORAGEM, EU VENCI O MUNDO!

Para encerrarmos, se você pudesse escolher apenas uma única mensagem, angústia ou reflexão para imortalizar na mente de quem lê a sua obra hoje, qual seria?

UM PEQUENINO POEMA. COM CERTEZA:

SIMBIOSE

DA ÁRVORE DA VIDA,
E DO CONHECIMENTO DO BEM E DO
MAL.
NASCEU A TRAGÉDIA;
SEU ANIMAL!!

LITERATURA

SER

ME DÁ
PRAZER.
HOJE;
MEU ÚNICO LAZER
É LER!!

E FIM DE PAPO. COMO DIZIA DOM RAULZITO…

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