Idade da mulher
A nobreza, as máximas e a ‘imorrível’ filosofia do mestre Barão de Itararé
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Pioneiro no humorismo político brasileiro, o jornalista Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, também conhecido por Apporelly e pelo falso título de nobreza de Barão de Itararé, morreu em 1971 sem saber de fato se era um cidadão brasileiro ou um intruso uruguaio. Como ele nunca se importou com isso, não serei eu quem irá contestar a versão de que, registrado como nascido no Uruguai, ela desde menino sustentou uma naturalidade gaúcha, ainda que sem discriminação de cidade.
Contemporâneo de grandes vultos da história brasileira, entre eles Getúlio Vargas, Samuel Wainer, Juscelino Kubistchek, Jânio Quadros e João Goulart, o mais importante é a história do velho (e nunca) companheiro da lida jornalística. Autodenominado Marechal-Almirante e Brigadeiro do Ar Condicionado, Apparício é autor de frases religiosamente filosóficas e imorríveis. Maximalista, isto é, autor de máximas, o barão sempre esteve indiscutivelmente acima do colega de nobreza, o Marquês de Maricá, o escritor e filósofo carioca Mariano José Pereira da Fonseca.
Por exemplo, para o amigo e parceiro Marquês de Maricá, “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”. Mais zeloso, o Barão de Itararé desde menino jurava que “mais valem dois galos no terreiro do que um na testa”. Embora aprecie o humor ácido de ambos, sou obrigado a concordar com Apporelly por uma simplória razão: como invasor do vasto e árido deserto da ignorância humana, o preclaro Itararé é campeão olímpico da paz. É dele a tese de que a “guerra fria” só seria válida se a batalha fosse contra o calor excessivo dos trópicos.
Descobridor de que o limão é uma laranja que sofre do estômago, o barão de todos os velhos e novos jornalistas se vivo fosse certamente teria fugido do Brasil durante o governo Bolsonaro, pois confundiria o lema da gestão com “Adeus, Pátria e Família”. Defensor ferrenho das donzelas militantes e assumidas, foi Apparício Torelly quem me ensinou a perfeita e científica técnica de descobrir a idade das mulheres sem a necessidade da horrorosa, imperdoável e grosseria pergunta. Aos homens de boas maneiras, principalmente àqueles que tomam banho pelo menos de 15 em 15 dias no inverno, repasso o ensinamento.
De costas, peça a uma amiga próxima ou mesmo a uma desconhecida para que ela escreva em um papelucho qualquer o número correspondente ao mês em que nasceu. Em seguida, multiplique por 2, some 5, multiplique por 50, some a esse produto a sua idade exata, subtraia 365 e novamente some 115. Feito isso ou isto feito, peça à moça para que, em voz alta, proclame o resultado obtido. Não tem erro. Conforme a dica do barão, o primeiro algarismo revelará o mês em que ela nasceu e os dois algarismos restantes dirão, com precisão aritmética, a idade da donzela.
Imaginemos uma moçoila nascida em maio, ou seja, no 5º. mês e que tenha 42 anos. Multiplicando 5 por 2, teremos 10, que, somados a 5, totalizam 15. A multiplicação de 15 por 50 é igual a 750. Acrescentando a idade da dita cuja, alcançaremos 792, número que, subtraídos 365, chegam a 327. A soma de 327 com 115 é 542. Eis a chave do grande mistério. Conheceremos a idade da virgem com discrição, gentileza. Como diz o amigo Waldemiro Schneider, o eterno prefeito de Domingos Martins, o melhor de tudo é que passaremos a ser reconhecidos como notáveis matemáticos. Façam o teste. Cartas para a redação de Notibras.
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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras