Entre o desgaste e a estratégia
A permanência protocolar de Marina na Rede
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Marina Silva protagonizou uma crise ruidosa dentro do próprio partido, ameaçou sair, judicializou disputas internas e, ao fim, decidiu ficar exatamente onde estava. Depois de tanto tensionamento, a permanência na Rede soa como simples cálculo político. Não que estratégia seja algo condenável na política, mas quando o movimento todo termina no ponto de partida, fica a sensação de que o desgaste poderia ter sido evitado.
Agora, com a federação com o PSOL e a sinalização de candidatura ao Senado por São Paulo, Marina tenta reposicionar sua trajetória. Trata-se de uma aposta relevante: São Paulo é um estado complexo, competitivo e onde o capital político precisa dialogar com múltiplas agendas. Marina tem história, tem reconhecimento e tem uma pauta ambiental que ganhou ainda mais centralidade nos últimos anos. Mas também carrega o desafio de se reconectar com um eleitorado que, muitas vezes, a vê como uma figura que oscila entre projetos e alianças.
A saída do Ministério do Meio Ambiente nesta semana, em cumprimento à legislação eleitoral, fecha um ciclo e abre outro. Ao deixar o cargo seis meses antes do pleito, Marina cumpre a regra, mas também se despe de uma vitrine importante. Agora, sem a força institucional do ministério, sua candidatura dependerá exclusivamente de sua capacidade de articulação política e de convencimento do eleitor.