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Cabelos

A ruiva

Publicado

Autor/Imagem:
Gilberto Motta - Texto e Imagem

Esperando a brisa da noite, ela passou.

Não andava: desfilava. Ruiva e com sorriso largo.

Havia um problema: o macho-alfa que ela levava à tiracolo.

Não me conformei.

Saí disfarçado, mas firme no rastro da mulher de cabelos em brasa.

Entraram no restaurante na beira da areia e a Ruiva começou a dançar.

Eu, quietinho, só observando.

Saíram de lá e foram para a praia.

O macho-alfa foi para o ataque apalpando e mordendo e a Ruiva se esquivando fechada em quatro.

Como uma ninja, a Ruiva armou o golpe e enfiou o pé nas partes baixas do violentador e saiu caminhando tranquilamente para o centrinho da pequena vila de pescadores.

O uivo de dor ecoa até hoje naquela praia.

Voltando para casa encontrei a Ruiva sentada na esquina tomando um Blood Mary, vermelho-sangue.

— Foi punk – eu disse.

E ela nada respondeu:

— Foi sim; para alguma coisa justa e útil valeram os anos de aprendizado do Jiu-Jitsu, com o mestre Roger Gracie.

Caminhei com ela até a pousada de turistas em que ela estava hospedada e segui em paz para casa.

Dormi sonhando com a Ruiva

Nunca mais vi a mulher, mas levo comigo a imagem simbólica de uma atitude digna. E claro, a elegância e a precisão do golpe fatal além, é claro, do som desesperado do uivo do macho-alfa ao receber a justa e necessária lição.

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Gilberto Motta é escritor, jornalista, professor/pesquisador amante das artes marciais, mas que não sabe matar uma mosca. Vive na Guarda do Embaú, vilazinha de pescadores e turistas no litoral Sul de SC.

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