Cabelos
A ruiva
Publicado
em
Esperando a brisa da noite, ela passou.
Não andava: desfilava. Ruiva e com sorriso largo.
Havia um problema: o macho-alfa que ela levava à tiracolo.
Não me conformei.
Saí disfarçado, mas firme no rastro da mulher de cabelos em brasa.
Entraram no restaurante na beira da areia e a Ruiva começou a dançar.
Eu, quietinho, só observando.
Saíram de lá e foram para a praia.
O macho-alfa foi para o ataque apalpando e mordendo e a Ruiva se esquivando fechada em quatro.
Como uma ninja, a Ruiva armou o golpe e enfiou o pé nas partes baixas do violentador e saiu caminhando tranquilamente para o centrinho da pequena vila de pescadores.
O uivo de dor ecoa até hoje naquela praia.
Voltando para casa encontrei a Ruiva sentada na esquina tomando um Blood Mary, vermelho-sangue.
— Foi punk – eu disse.
E ela nada respondeu:
— Foi sim; para alguma coisa justa e útil valeram os anos de aprendizado do Jiu-Jitsu, com o mestre Roger Gracie.
Caminhei com ela até a pousada de turistas em que ela estava hospedada e segui em paz para casa.
Dormi sonhando com a Ruiva
Nunca mais vi a mulher, mas levo comigo a imagem simbólica de uma atitude digna. E claro, a elegância e a precisão do golpe fatal além, é claro, do som desesperado do uivo do macho-alfa ao receber a justa e necessária lição.
…………………..
Gilberto Motta é escritor, jornalista, professor/pesquisador amante das artes marciais, mas que não sabe matar uma mosca. Vive na Guarda do Embaú, vilazinha de pescadores e turistas no litoral Sul de SC.