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Saúde

Americanos declaram guerra aos refrigerantes

Juliana Carreiro

Duas das principais entidades médicas americanas reivindicam impostos mais altos para os refrigerantes e a proibição de publicidade da bebida, na esperança de desencorajar as crianças a consumi-los e os pais à comprá-los. Em um comunicado conjunto, a Academia Americana de Pediatria e a Associação Americana de Cardiologia endossaram uma série de recomendações que, segundo as entidades médicas, poderão ajudar a reduzir as taxas de diabetes tipo 2, de doenças cardiovasculares e a crescente epidemia de obesidade.

Segundo os autores do comunicado, “os profissionais de saúde vêm tentando e fracassando no intento de restringir a ingestão de refrigerantes, apenas por meio da educação e das escolhas individuais. Assim como as mudanças nas políticas públicas foram necessárias e eficazes na redução do consumo de tabaco e álcool, precisamos de mudanças nas políticas públicas que ajudem a reduzir o consumo de refrigerantes entre crianças e adolescentes”.

A taxa de obesidade infantil triplicou desde a década de 1970, afetando uma em cada cinco crianças nos EUA, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças. A doença é hoje a principal preocupação de saúde entre os pais, nos país, superando o abuso de drogas e o tabagismo. Mais de um terço dos adultos norte-americanos também estão obesos. Os especialistas alertam que essa proporção crescerá cada vez mais, entre as gerações mais jovens, por conta do sedentarismo e do aumento no consumo de junk food e de refrigerantes.

Nos EUA, as crianças consomem uma média de 30 litros de refrigerantes por ano, o equivalente a cerca de meia banheira cheia de açúcar. “O consumo de muito açúcar tem sido associado a vários problemas de saúde como asma, cáries, aumento dos níveis de colesterol ruim (LDL) e aumento do risco de pressão alta e doenças cardíacas. Os refrigerantes representam riscos reais e evitáveis ​​à saúde das crianças, incluindo diabetes, obesidade e doenças cardíacas”, explica o pediatra e homeopata, Moises Chencinski. É por isso que, entre muitas recomendações, as duas entidades médicas americanas pedem que os legisladores aumentem o preço dos refrigerantes em nível local, estadual e federal, via cobrança de impostos.

Em março de 2015, Berkeley, na Califórnia, tornou-se a primeira cidade do país a impor um imposto de 1% sobre os refrigerantes. Um ano após a introdução do imposto, as vendas caíram 9,6%, enquanto as vendas nas áreas vizinhas aumentaram 6,9%, segundo um estudo de 2017. As vendas de água aumentaram 15,6%, após o aumento dos impostos e as vendas de outras bebidas não tributadas, como chás sem açúcar também aumentaram. Desde então, várias cidades dos EUA estão seguindo esse exemplo, incluindo: São Francisco, Oakland e Albany, na Califórnia; Filadélfia, Pensilvânia; Boulder, Colorado; Condado de Cook, Illinois; Portland, Oregon; e Seattle, Washington. Segundos os autores do estudo, o aumento de impostos é uma ótima medida, pois ele realmente diminui o consumo de refrigerantes.

A indústria de refrigerantes gastou bilhões de dólares fazendo campanha contra os impostos e tentando influenciar a pesquisa a ser mais favorável aos refrigerantes. No comunicado conjunto, as entidades médicas também incluíram a exigência de que a quantidade de açúcar adicionada aos refrigerantes seja exibida nos rótulos nutricionais e cardápios dos restaurantes. Também estão pedindo regulamentações federais que reduzam a quantidade de publicidade de junk food na TV, on-line e em outdoors.

Vários estudos mostram que crianças negras e hispânicas veem uma parcela muito maior de anúncios de refrigerantes em comparação com seus pares brancos. Foi comprovado também que 26% dos jovens hispânicos e 22% dos jovens negros são obesos, em comparação com 14% dos jovens brancos. Alguns profissionais de saúde reivindicam proibições generalizadas semelhantes à forma como os anúncios de cigarro foram banidos do rádio e da televisão, em 1971, enquanto outros propuseram legislação para acabar com a dedução fiscal federal do refrigerante para crianças.

A declaração conjunta vem na esteira de um estudo divulgado pela Escola de Saúde Pública de Harvard, que descobriu que o consumo de refrigerantes e bebidas esportivas estava associado a um risco 30% maior de morte prematura entre adultos dos EUA. “Beber água no lugar de refrigerante é uma escolha saudável que pode contribuir para a longevidade. O refrigerante diet pode ser usado para ajudar os consumidores frequentes de bebidas açucaradas e os diabéticos a reduzirem seu consumo, mas a água é a melhor e mais saudável escolha”, orienta Moises Chencinski.

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