Visibilidade desigual
As pessoas que a cidade não vê
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Há pessoas que vivem na cidade, mas não são vistas por ela.
Estão nos semáforos, nas calçadas, nos cantos onde o fluxo desacelera. Pedem ajuda, vendem algo, oferecem serviços, ou apenas permanecem ali.
A sociologia urbana há muito aponta que a cidade não distribui visibilidade de forma igual. Georg Simmel já observava como a vida urbana produz indiferença como forma de autoproteção.
Para não se sobrecarregar, as pessoas aprendem a não ver tudo.
Mas essa indiferença tem custo. Ela transforma vidas em paisagem.
Talvez o problema não seja apenas a existência da pobreza, mas a naturalização da sua presença. Quando alguém deixa de causar estranhamento, passa a fazer parte de um cenário que já não é questionado.
E o que deixa de ser questionado tende a permanecer.