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Saúde

Asma, sabendo cuidar, ela não vai atacar

Carolina Paiva, Edição

A asma é uma doença respiratória crônica caracterizada pela dificuldade de respirar, chiado e aperto no peito, além de respiração curta e rápida. Isso ocorre devido a uma inflamação das vias aéreas, que estreita a passagem de ar. Os sintomas pioram à noite e nas primeiras horas da manhã e até mesmo em resposta a mudanças climáticas.

Na sexta-feira, 21, além do início do inverno, é lembrado o Dia Nacional de Controle da Asma. Nessa época do ano, os sinais podem se agravar e é preciso tomar cuidados redobrados, pois, mesmo em tratamento, muitas pessoas ainda sofrem com os impactos da enfermidade.

Segundo um estudo conduzido pelo Programa de Controle da Asma (ProAR), de Salvador, na Bahia, das 172 pessoas identificadas com nível grave da doença, 78,5% relataram ter tido, pelo menos, um agravamento. O problema foi definido como visita ao pronto-socorro, hospitalização ou ciclo de uso de corticoide oral nos últimos 12 meses.

O estudo concluiu que, embora essas pessoas façam acompanhamento em um centro de referência de acordo com as diretrizes, a maioria ainda é descontrolada e sofre com doenças relacionadas aos impactos da asma. Esse cenário exige altas doses de corticoide via inalação. No Brasil, apenas 12% dos casos de asma estão sob controle.

Paulo Pitrez, pneumologista pediátrico do Hospital Moinhos de Ventos, no Rio Grande do Sul, fala sobre a diferença entre asma e asma grave. “A asma grave é a doença na qual o paciente precisa de muita medicação preventiva, como corticoides inaláveis em doses mais altas, associados a outros medicamentos como broncodilatadores ou até medicamentos de última geração como os imunobiológicos”, explica.

Esse quadro afeta a vida social das pessoas que sofrem com o problema. “O estudo constatou que os pacientes com asma grave têm uma qualidade de vida pior, em vários aspectos, e o resultado é o afastamento do trabalho e aposentadoria precoce por ivalidez”, explica Alvaro Cruz, responsável pelo estudo e coordenador do ProAR.

A pesquisa do ProAR identificou ainda que 81,4% dos pacientes com asma grave estavam acima do peso ou obesos e essa é uma das questões que envolvem a doença. De acordo com Pedro Vieira, otorrinolaringologista do Hospital Cema, obesidade e asma podem estar diretamente relacionadas. “O excesso de gordura no corpo leva a altos níveis de leptina e citocina inflamatórias, que estão ligadas ao surgimento da asma. Além disso, a obesidade altera propriedades mecânicas do sistema respiratório”, explica o médico.

Vieira diz ainda que, segundo pesquisa recente da Universidade de Pittsburgh, as crises de asma são mais frequentes em pessoas que têm problemas para dormir. Quem apresenta asma e insônia costuma ter mais depressão e sintomas de ansiedade.

Alergias são fortes desencadeadores de asma. O médico diz que existem substâncias potencialmente alergênicas, como mofo, poeira e pelo de animais. “Nesse caso, é essencial tratar a alergia, eliminando ou minimizando a exposição aos agentes alergênicos e administrando as crises”, afirma.

Inverno e crises de asma
O inverno pode aumentar as chances de complicação da asma devido às alterações que ocorrem no clima e na umidade do ar. A combinação dessas condições ambientais com o histórico familiar do paciente pode resultar em períodos de crises. Além da dificuldade de respirar, outros sintomas incluem tosse constante e prolongada, que geralmente ocorre no período noturno e pode ser seca ou vir acompanhada de secreção, além de desconforto na região torácica, fadiga e falta de ar ao realizar atividades físicas.

A pneumologista Denise Eri Onodera Vieira, do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam), diz que, embora a asma não tenha cura, existe a possibilidade dos sintomas desaparecerem na fase da puberdade, caso o paciente tenha sido acometido em um grau menor ainda na infância. A médica ressalta que é importante manter a limpeza frequente dos locais com alta concentração de agentes causadores e agravadores.

“O ideal é deixar objetos como camas, travesseiros, tapetes e carpetes sempre limpos, para evitar o surgimento de crises. Evitar o fumo também é um cuidado importante que os asmáticos devem ter. Medicamentos e vacinas para alergia costumam ser utilizados tanto para prevenir quanto para aliviar os períodos de crises da doença”, aconselha a médica.

O pneumologista Mauro Gomes, diretor da Comissão de Infecções Respiratórias da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia, apresenta mais dicas para evitar as crises de asma durante o inverno.

Cuidado com ar-condicionado e aquecedores: As mudanças de temperatura entre ambientes externos e internos são típicas do inverno. A tentativa de se aquecer pode acabar em armadilha para pacientes asmáticos, porque a oscilação de temperatura é um dos gatilhos para as crises. “A mucosa nasal das pessoas que possuem asma é mais sensível e detalhes como o ar mais seco, poeira, fumaça do cigarro, poluição e até mesmo o pólen podem ser estímulos para uma reação alérgica”, explica o médico. A dica é manter sempre o ambiente arejado e fazer a limpeza das narinas para evitar ressecamento.

Roupas de cama e agasalhos: Com as baixas temperaturas, blusas e cobertores são indispensáveis para se aquecer. Mantas e casacos peludos podem ser um gatilho para os asmáticos, pois no tempo em que ficam guardados, acumulam muita poeira e ácaros. Pessoas com asma devem saber se estão com a doença controlada. Nos casos de não controle, quando há sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, despertares noturnos, necessidade de medicamento mais de duas vezes por semana e limitações na rotina, deve-se evitar o contato com os alergênicos.

Deixe o cigarro de lado: A asma, aliada ao consumo de cigarro, torna-se ainda pior. Em um estudo feito com mais de 10 mil pacientes asmáticos, foi reportado que 59% deles tinham a doença fora de controle, 19% a tinham bem controlada e apenas 23% conviviam com ela totalmente controlada. O estudo indicou que o mal controle está mais relacionado aos pacientes fumantes.

Esteja sempre com as vacinas em dia: “Infecções virais, como gripes e resfriados, são muito comuns nesta época do ano e podem provocar ou piorar as reações alérgicas. Para minimizar as ocorrências de crises, é extremamente importante fazer o tratamento correto das alergias respiratórias durante todo o ano e estar sempre atento às campanhas de vacina contra gripe”, orienta Gomes.

Não deixe o tratamento de lado: Quando a asma não é diagnosticada e tratada adequadamente, pode levar a internações e até à morte. Uma das opções de tratamento, segundo Gomes, é o tiotrópio, que melhora a função pulmonar e reduz em 21% o risco de exacerbações em pacientes com asma grave e muito grave.

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