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Ataque de Rollemberg contra Ibaneis vira tiro no pé

Foto/Arquivo Notibras
Paulo Henrique Abreu*

Até então não havia anunciado em que iria votar. Como um urso hibernando, fiquei quieto neste processo eleitoral. Vejo muita desonestidade política.

Embora em tom mais tímido, a campanha no Distrito Federal tem nos oferecido mais ataques pessoais entre os candidatos ao GDF do que o enfrentamento para com os problemas sofridos pela população, vítima dos maus serviços públicos. Educação, saúde e segurança passam longe do bom debate político. Para ganhar o eleitor, os candidatos optaram por desconstruir o oponente.

O atual governador, candidato à reeleição, Rodrigo Rollemberg – a quem outrora cheguei até a nutrir uma certa simpatia -, ao tentar dar um “cruzado” no adversário Ibaneis Rocha, líder das pesquisas, acabou por acertar toda a advocacia brasileira. Um soco abaixo da linha de cintura, desleal!

Em seu programa eleitoral que vem sendo veiculado nas rádios, Rollemberg, desesperado por votos, ataca Ibaneis por sua profissão: a advocacia. Numa simulada entrevista à jornalista Mônica Nóbrega, o governador diz que pela vida profissional de uma pessoa é possível saber os seus valores. Em alto e bom som, falou que Ibaneis, por ter atuado na defesa, como advogado, de alguns envolvidos na morte do índio Galdino, não teria “valores cristãos”. Seria, então, Ibaneis cúmplice desse horrendo homicídio, ocorrido em 1997, só por ter atuado na defesa de seus clientes?

Ora, senhor Rollemberg, isso é golpe baixo! Vossa Excelência sabe que a atuação dos advogados não se confunde com os crimes praticados pelos seus clientes. Nós advogados defendemos causas e não os crimes por eles cometidos! Com exceção dos juizados especiais, o advogado é indispensável nas resoluções dos conflitos. Sem ele, não há justiça! Se não sabe, governador, a advocacia é uma das profissões mais nobres, reconhecida em todo o mundo.

Os valores cristãos, que o senhor tanto diz defender, não são aferidos pela causa defendida pelo profissional advogado. Defender a causa de um homicida não significa que somos condizentes ou mesmo que apoiamos a conduta de quem patrocinamos. Não há réu sem defesa no nosso ordenamento jurídico.

Ruy Barbosa, ao enfrentar, em seu tempo, ataques dessa natureza, logo pôs os pontos nos “is”; ao dizer que “a defesa não quer dizer o panegírico da culpa ou do culpado. Sua função consiste em ser, ao lado do acusado, inocente ou criminoso, a voz dos seus direitos legais.”

Portanto, senhor governador, equivoca-se Sua Excelência pretender santificar seus “valores cristãos” se utilizando da baixeza vil para atacar a advocacia, cuja função elementar é a defesa dos direitos legais das pessoas.

Aproveito a oportunidade para me solidarizar com a sua filha Gabriela, advogada renomada, que, por defender suas causas, não pode ser responsabilizada pelas mortes de milhares de pacientes à espera de atendimento nos hospitais públicos, os quais o senhor administra.

*PH Abreu é advogado

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