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Causa própria

Auê venenoso do Congresso não atinge Lula 3

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Conforme a justiça poética, normalmente o agressor se torna vítima de seus próprios feitos, atos ou procedimentos. É a tese secular de que o feitiço sempre se vira contra o feiticeiro evidenciando que todos os que plantam o mal, colhem o mal. Na linguagem mais popularesca, diria que tudo que vai, volta. No sentido bíblico, aqui se faz, aqui se paga. Antecipando a moral da história, antes de desejar o mal, é importante lembrar que qualquer ação tem consequência e que o destino pode devolver na mesma medida ou até pior.

No caso em questão, por enquanto o castigo dos que tentaram ganhar no grito uma eleição que ainda não disputaram é conviver com o veneno que eles carregam dentro de si. Se a ideia era desbancar Luiz Inácio Lula da Silva antes da contagem dos votos depositados nas urnas eletrônicas, a cobrança em breve será inversa. Em algumas situações ela já foi iniciada na forma de números. Ou seja, como já era esperado, as manobras da direita associada ao covil de Davi Alcolumbre (União-AP) começam a dar frutos podres antes mesmo de atingir o Lula 3.

O Congresso e suas prioridades bolsonaristas têm jogado sistematicamente contra o povo. Agindo em causa própria ou em favor de causas cujo beneficiário é o candidato conservador, os deputados e senadores parecem esquecidos que, a exemplo do peru, que não morre de véspera, o presidente da República segue cumprindo a missão para a qual foi eleito em outubro de 2022. Como cidadão que prefere a pátria às fuleragens da política de negociatas e de maracutaias, fujo de tietagens, de idolatrias baratas e de bajulações interesseiras.

Entretanto, não tenho como fugir do óbvio apresentado por aqueles que supostamente investem na verdade. Digo supostamente porque, até prova em contrário, o Brasil e os brasileiros são sinônimos de mentiras. Apesar do enraizado ceticismo, como negar dados públicos e não refutados pela oposição? De acordo com informações que não são requentadas, o desemprego no primeiro trimestre deste ano alcançou 6,1%, o menor já registrado no período. Ou seja, mais pessoas trabalhando e mais vagas de emprego aparecendo.

Seriam os números a prova de que o presidente está trabalhando ou o efeito da tentativa de emparedamento do líder que, mal ou bem, está fazendo a nação avançar? Enquanto me perdia nas elucubrações, acabei descobrindo, por meio de publicações especializadas, que o varejo alimentar do país atingiu faturamento recorde de R$ 1,14 trilhão. Como dizem os menos burocratas, é o comércio aquecido e a roda da economia girando. O que está acontecendo com o Brasil que Alcolumbre quer entregar de mão beijada ao conservadorismo?

Sobre a cobrança numérica já iniciada, apesar de todo auê em torno da figura presidencial, Luiz Inácio continua comandando a festa. Ele permanece liderando o primeiro turno e, curiosamente, está empatado no segundo com Flávio Bolsonaro, Ciro Gomes, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Ou seja, se era para detonar Lula, a algazarra do Congresso na semana passada teve efeito milagroso às avessas. Em vez de projetar a campanha de 01, a desordem do bruxo Alcolumbre levantou do túmulo três ex-governadores que até bem pouco tempo eram traços em qualquer pesquisa eleitoral.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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