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Travesso alquimista

Aurora de dois corações

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Na penumbra da noite, o peito se fez relicário,
guardando lembranças como joias raras.
A saudade, feito vento morno, soprou entre as costelas,
acendendo brasas que dormiam sob cinzas antigas.

O amor, travesso alquimista, pediu passagem,
queria decifrar o código secreto do coração.
E eu, guardião de sentimentos, abri a porta com cautela,
avisando: “Não desarrume de novo o que levei eras pra alinhar.”

Mas ele entrou, com olhos de menino e pés descalços,
revirando gavetas, soprando poeiras,
descobrindo que a menina travessa ainda mora ali,
escondida entre versos e suspiros.

E quando ela aparece, mesmo em lampejos,
transforma o velho coração em adolescente,
faz do tempo um brinquedo, da vida uma dança.
E naquela noite, ambos se tornaram eternamente jovens,
vivendo a liberdade com rugas de sabedoria.

O amor deles não tem idade, tem história.
É feito vinho antigo, guardado em cântaro de barro,
inebriante, doce, forte — capaz de embriagar a alma.
É amor que não se mede em abraços,
mas em cumplicidade que atravessa distâncias.

É amor que rasga o silêncio e costura a aurora,
que vence o tempo e acalma tempestades.
É amor que ilumina sem ofuscar,
que sobrevive ao ontem e floresce no agora.

E assim te amo, desde o primeiro sopro da eternidade,
com a leveza de um verso e a força de um trovão.
Te amo como quem planta estrelas no céu da memória,
sabendo que, mesmo longe, tua luz sempre me alcança.

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