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Luz no fim do túnel

Balanço do BRB trará perdas como CEF e BB

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José Seabra - Foto de Arquivo

Enquanto a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil fecharam o primeiro trimestre de 2026 pressionados pelo avanço da inadimplência, sobretudo nas carteiras de crédito imobiliário e do agronegócio, o mercado financeiro aguarda agora a divulgação do balanço do Banco BRB, cuja turbulência tem a desastrosa relação com o Banco Master como origem distinta. A expectativa é de que os números sejam conhecidos até o próximo dia 29.

Os dados já divulgados pelos dois gigantes públicos revelam um cenário de forte deterioração no sistema de crédito brasileiro. A Caixa Econômica Federal registrou lucro recorrente de R$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre, queda de 34,4% em relação ao mesmo período do ano passado. O banco ampliou provisões para perdas, elevadas pela inadimplência crescente e pelas novas regras contábeis do Banco Central.

O crédito imobiliário, carro-chefe da Caixa, continuou crescendo, mas já apresenta sinais de desgaste. O índice geral de inadimplência subiu para 3,71%, enquanto as despesas com provisões para perdas alcançaram R$ 6,5 bilhões no trimestre. O agronegócio também passou a preocupar, com deterioração acelerada da carteira rural.

No caso do Banco do Brasil, o impacto veio ainda mais pesado. O BB viu o lucro líquido ajustado despencar 54%, para R$ 3,4 bilhões, pressionado diretamente pelo avanço do calote no crédito rural. A inadimplência do agro atingiu 6,22%, forçando o banco a elevar em 46% suas provisões para perdas, que chegaram a R$ 16,8 bilhões. A própria direção do BB reconheceu um ambiente mais desafiador para o risco de crédito, especialmente no agronegócio.

É nesse ambiente de desconfiança e aperto regulatório que o mercado espera o balanço do BRB. A diferença, porém, é substancial. Enquanto Caixa e Banco do Brasil sofrem com um problema estrutural do crédito nacional — inadimplência disseminada em setores estratégicos da economia —, o BRB enfrenta um passivo extraordinário decorrente das operações envolvendo o Banco Master, hoje no centro de investigações da Operação Compliance Zero.

Estimativas do Banco Central apontaram necessidade de provisões bilionárias por parte do BRB em razão das operações com ativos ligados ao Master. Relatórios e investigações falam em impactos que podem ultrapassar R$ 5 bilhões, além da necessidade de reforço de capital e reestruturação patrimonial.

Ainda assim, especialistas do mercado evitam tratar o banco brasiliense como uma instituição em colapso. O próprio BRB já iniciou movimentos para recompor liquidez e fortalecer capitalização, incluindo acordos com a Quadra Capital e aprovação de aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões.

Nos bastidores de Brasília, a avaliação predominante é que prejuízos, por maiores que sejam, não colocam necessariamente um conglomerado financeiro na UTI quando existem ativos sólidos, musculatura operacional e capacidade administrativa para reorganização. Cabe registrar que o sistema financeiro convive historicamente com ciclos de perdas e recuperação, e é justamente aí que entra o fator decisivo: gestão.

A chegada de Nelson de Souza ao comando do banco é vista por parte do mercado como tentativa de reconstrução baseada em três pilares repetidos à exaustão. Trata-se de liquidez, capital e reputação. A travessia, isso o próprio Nelson admite, será dura. Mas, nas palavras dele, há, sim, para o BRB, luz no fim do túnel.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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