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Brasil

Basta, Bolsonaro. Golpe contra o Congresso não dá

Marta Nobre

Jair Bolsonaro cruzou perigosamente a tênue linha  que sustenta a incipiente democracia brasileira, ao supostamente pregar, em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça, 25, o fechamento do Congresso Nacional. As forças democráticas reagiram. Fizeram coro pedindo um basta! nas atitudes do presidente, cada vez mais identificado com o nazifascismo.  A opinião geral é a de que desejar golpear o Congresso, não dá.

Bolsonaro – segundo definição de muita gente – parece ter perdido a noção do cargo que ocupa, ao convocar o povo para uma grande manifestação no dia 15 de março contra a Câmara e o Senado, baluartes da democracia onde se respira e transpira-se liberdade por todos os poros.

Os alertas contra esse ato insano, se concretizado, vieram de dirigentes políticos. Literalmente, o gesto do presidente foi inspirado em velhos nazifascistas, avaliam próceres de diferentes tendências. Teme-se, a esse respeito, que ao lado do seu topete caído de lado na testa, ele deixe crescer o bigode, aparado rente às narinas.

Espera-se que Bolsonaro recue dessa bravata, tomada em um momento de fragilidade e empobrecimento moral, dispararam lideranças espalhadas por todo o País. Fernando Henrique foi um dos que se assustou com a postagem presidencial. “Estamos com uma crise institucional de consequências gravíssimas. Calar seria concordar. Melhor gritar enquanto se tem voz, mesmo no Carnaval, com poucos ouvindo”, escreveu o ex-presidente nas mesmas redes sociais utilizadas pelo ex-capitão.

Alessandro Molon, líder da oposição na Câmara, cobrou uma reunião de emergência entre os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia e do Senado, Davi Alcolumbre, com líderes de todas as bancadas, para decidir o que fazer diante dessa nova manifestação do presidente da República.

“Temos que parar Bolsonaro! Basta! As forças democráticas deste país têm que se unir agora. Já! É inadiável uma reunião de forças contra esse poder autoritário. Ou defendemos a democracia agora ou não teremos mais nada para defender em breve”, disse também pelas redes sociais. Segundo Molon, ‘sozinho e perdido como cachorro que cai de caminhão de mudanças’, Bolsonaro apela “ao que todos temíamos: a um ato autoritário contra a própria democracia. Não dá mais. Esses absurdos, exageros e atropelos têm que parar agora.”

Já o ex-deputado Roberto Freire, presidente do Cidadania – legenda que tenta impulsionar uma eventual candidatura de Luciano Huck ao Palácio do Planalto em 2022 -, considerou o episódio “de suma gravidade”. Na opinião dele, “mais do que crime de responsabilidade, é claro atentado à democracia e à República o apoio do presidente Bolsonaro a uma convocação de manifestação nitidamente antidemocrática. Pregação de uma quartelada para fechar o Congresso e o STF.”

Outro desafeto de Bolsonaro – por quem foi derrotado nas urnas em 2018 – Ciro Gomes cobrou, sobre o mesmo assunto. uma reação dos eleitores ao vídeo disparado pelo presidente. “Se o próprio presidente da República convoca manifestações contra o Congresso e o STF, não resta dúvida de que todos aqueles que prezam pela democracia devem reagir”, enfatizou o ex-governador cearense no Twitter.

Para Ciro Gomes, “é criminoso excitar a população com mentiras contra as instituições democráticas e sem causa nenhuma, a não ser sua agenda anti-pobre, anti-produção e entreguista de nossas riquezas aos estrangeiros. Vamos lutar pela preservação da Constituição e pelo Brasil.”

Os ataques a Bolsonato vieram também do líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues. “Chega! As forças democráticas precisam repudiar este comportamento vil e impedir a escalada golpista”, escreveu ele no Twitter.

A gravidade da postura do presidente pode levar a um pedido de impeachment, segundo interpretação do jurista Miguel Reale Jr.  Trata-se, disse, de “uma conspiração contra um dos Poderes da República”. “Não sei o que ele tomou nesse carnaval para tomar um ato de tamanha ousadia. É gravíssimo. Convocar a nação para desconstituir um Poder está entre os itens que justificam um impeachment”, lembrou o autor do texto que destituiu Dilma Rousseff da presidência.

Gleisi Hoffmann, presidente do PT, reagiu ao vídeo afirmando ser “inacreditável que o presidente atente contra as instituições e a democracia”. A deputada sublinhou que “a auto propaganda é mentirosa. Não é patriota, está entregando as riquezas do Brasil. Muito menos incorruptível, com (Fabrício) Queiroz, Adriano (Magalhães da Nóbrega) e as milícias que lhe cercam”, declarou, ao comentar o conteúdo que pode ser visto abaixo:

 

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