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Mulher

Biodegradável torna consumo de moda menos poluente

Foto/Reprodução
Gabriela Marçal

A produção excessiva de lixo e a contaminação dos oceanos com plásticos estão levando a sociedade a repensar seus hábitos de consumo. O canudinho se tornou um ícone desse movimento, no entanto ainda é necessário olhar para muitos outros itens que compramos e usamos diariamente. Uma peça de roupa, por exemplo, demora em média 50 anos para se decompor; essa informação mostra que olhar para o próprio guarda-roupa é fundamental.

“Hoje, sabemos que 85% do produto têxtil do mundo vai parar no aterro sanitário; 20% de toda água de resíduo de processo fabril carrega substâncias químicas, ou seja, a indústria da moda é muito poluente”, diz Bruna Ortega, especialista em beleza e moda da WGSN. Por outro lado, a empresa de tendências também identificou que quase metade dos consumidores com 18 anos ou mais preferem consumir marcas ecologicamente conscientes.

Chiara Gadaleta, especialista em sustentabilidade e consumo consciente, concorda que mais pessoas estão se engajando para pensar em roupas mais sustentáveis no fim de sua vida útil. No entanto, a fundadora do Movimento Ecoera e apresentadora do Menos é Demais, no canal Discovery Home and Health, alerta: uma peça que demore mais de 20 anos para se decompor não pode ser considerada biodegradável. “O consumidor final precisa questionar quando uma marca diz que é biodegradável. Porque nem todo produto sustentável é biodegradável no Brasil”.

A indústria da moda tem ouvido o desejo por produtos de menor impacto ambiental. “Começamos a ver que, além da demanda do consumidor, as empresas estão se mexendo para trazer sustentabilidade de uma forma muito mais fashion, muito mais moderna”, afirma a executiva da WGSN.

Algumas companhias como Pantys, Lupo e Renner foram influenciadas por esse movimento e estão vendendo peças biodegradáveis que são produzidas a partir da fibra de poliamida Amni Soul Eco, desenvolvida no Brasil pelo Grupo Solvay, da Rhodia. Um item feito desse material mais sustentável se decompõe em três anos no aterro sanitário; ou seja, 47 anos a menos para se dissolver do que os tecidos tradicionais. “Temos uma grande ambição de em cinco anos tornar todos os fios biodegradáveis”, afirma Mayra Montel, marketing e branding da Rhodia.

Recentemente, em abril, calcinhas, sutiãs, biquínis e maiôs da Pantys passaram a ser produzidos com a poliamida biodegradável da Rhodia. Após essa mudança, apenas o shorts de uso noturno e o forro absorvente das demais peças não são biodegradáveis. Entretanto, já foi um avanço para a empresa de roupas íntimas que nasceu para acabar com o uso de absorventes descartáveis. Segundo Emily Ewell, CEO da Pantys, a companhia também está trabalhando com sua cadeia de fornecedores para rever todos os materiais usados e no futuro poder colocar no mercado peças com elásticos e outros componentes totalmente biodegradáveis.

Saindo do departamento de roupas íntimas e indo para a seção esportiva, 20% da produção de camisetas esportivas da Lupo é de tecido biodegradável. “Nesse momento, nosso foco está nas camisetas, porque é um produto que tem um descarte mais rápido, pois as pessoas utilizam mais, fica mais exposto durante o uso, tem mais trocas, mais lavagens”, explica a coordenadora da linha Lupo Sport, Roberta Lucia.

Outra opção biodegradável para a indústria da moda é a fibra EcoVero, do grupo austríaco Lenzing. O material têxtil é produzido a partir de fontes sustentáveis de madeira e demora de um a cinco meses para se decompor na natureza. Com essa alternativa, as marcas Lunender e Lez Lez, do grupo Lunelli, oferecem há um ano peças confeccionadas com essa viscose de menor impacto ambiental. Os produtos de viscose EcoVero representam 10% do total da produção da companhia Lunelli.

Além das fibras biodegradáveis mais tecnológicas, o algodão orgânico certificado é uma matéria-prima que sobrecarrega menos o meio ambiente. Nessa linha, de acordo com Samuel Eichstaedt, diretor de produto do Grupo Lunelli, em dois anos todo o algodão usado pela empresa será sustentável.

O gerente sênior de sustentabilidade da Lojas Renner, Eduardo Ferlauto, afirma que a varejista também planeja passar a utilizar apenas algodão certificado até 2021. Além dessa material, a Renner também confecciona peças de poliamida biodegradável.

A C&A oferece uma linha de camisetas de algodão identificadas por etiquetas Cradle to Cradle, certificação que reconhece materiais sustentáveis. Ao final da vida útil, as peças se decompõem em 12 semanas ou podem ser colocadas em composteiras, para se tornarem adubo para estimular o crescimento de plantas e restaurar a vitalidade do solo.

Dar preferência a peças biodegradáveis é uma decisão consciente para reduzir o impacto do seu consumo. Comprar roupas usadas e preferir peças de maior qualidade que vão durar mais são outras atitudes positivas. “Tentar aumentar ao máximo a vida útil da peça e evitar o descarte prematuro”, indica Chiara Gadaleta.

Quando a peça deixa de ser útil para você, ela ainda pode ser usada por outras pessoas próximas ou podem ser destinadas a iniciativas como a Campanha do Agasalho. A C&A também facilita a destinação dessas peças. Em 80 lojas da rede, existem urnas que recebem doações de roupas usadas. A iniciativa chamada Movimento ReCiclo faz uma triagem das peças, que podem ser de qualquer marca, e as encaminha para parceiros que podem reciclá-las ou doá-las para ajuda humanitária.

Apenas após esgotar todas essas possibilidades, é que deve se pensar em descartar uma peça de roupa. E ainda assim é fundamental fazer isso com responsabilidade; afinal, quando ‘joga-se fora’, o ‘fora’ ainda é aqui no meio ambiente.

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