Operação da PCDF
Bloqueio de R$ 1 bi e desarticulação de esquema de tráfico e lavagem
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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou na manhã desta sexta-feira (10) uma megaoperação para desmantelar uma organização criminosa sofisticada, voltada ao tráfico interestadual de drogas e à lavagem de dinheiro. Com atuação em sete estados, a ação mira uma rede que movimentou valores expressivos e mantinha conexões com facções do Rio de Janeiro.
A operação, conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO/DECOR), mobilizou 200 policiais para o cumprimento de 96 mandados judiciais, incluindo 40 de prisão temporária e 56 de busca e apreensão. A ordem judicial, autorizada pela Justiça do DF, inclui também o bloqueio de bens e valores que podem chegar à marca expressiva de R$ 1 bilhão.As investigações, iniciadas em 2024 pela 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho), descortinaram uma estrutura criminosa complexa, responsável pelo abastecimento de drogas no Distrito Federal e pela ocultação de recursos ilícitos. A polícia aponta que os investigados podem responder pelos crimes de tráfico interestadual de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O impacto das atividades criminosas é considerado alto, com as penas somadas podendo chegar a 55 anos de prisão para os envolvidos, dada a gravidade dos delitos e a estrutura organizada. A operação abrange o Distrito Federal e os estados de Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Amazonas, Paraná e Santa Catarina, demonstrando o caráter interestadual da quadrilha.
No Distrito Federal, os mandados foram cumpridos em diversas regiões administrativas, incluindo Gama, Samambaia, Itapoã, Sobradinho, Santa Maria e Vicente Pires, focando na logística de envio e distribuição de entorpecentes vindos de outros estados. A polícia identificou dois núcleos rivais, porém atuantes no mesmo esquema de distribuição na capital federal.O braço financeiro da organização era sofisticado, utilizando empresas de fachada, contas de terceiros e criptoativos para ocultar a origem ilícita do dinheiro. Os investigadores identificaram empresas sem atividade compatível com os valores movimentados, registradas em estados como Amazonas, Paraná, Santa Catarina e São Paulo.
Uma única conta bancária analisada pelos investigadores movimentou mais de R$ 79 milhões em um curto período, evidenciando o alto volume de capital gerado pelo tráfico de drogas e movimentado pelo grupo criminoso. Essa lavagem de dinheiro permitia a reinserção dos recursos na economia formal.
Além do tráfico e da lavagem, a operação apontou a ligação da organização com facções criminosas do Rio de Janeiro, evidenciando a conexão interestadual e a logística sofisticada para treinamento com armas de grosso calibre. Três investigados chegaram a viajar até uma comunidade carioca para treinamento com fuzis.
A operação também mira investigados estrangeiros, com destaque para a identificação de dois colombianos e um venezuelano na estrutura criminosa. Um dos colombianos foi preso na Espanha após constar na difusão vermelha da Interpol, demonstrando a atuação internacional do grupo.
Com o bloqueio de até R$ 1 bilhão, a PCDF busca asfixiar financeiramente a organização criminosa, retirando o lucro obtido com atividades ilícitas e enfraquecendo a estrutura de tráfico de drogas. O trabalho de inteligência foi fundamental para rastrear a movimentação financeira e os bens da quadrilha.
As prisões e apreensões realizadas hoje visam aprofundar as investigações e garantir que os responsáveis pelo esquema de tráfico e lavagem de dinheiro sejam punidos conforme a lei. A PCDF continua as investigações para identificar outros possíveis envolvidos e conexões do grupo.
A ação de hoje representa um golpe contundente contra o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro no Distrito Federal e em outras regiões do Brasil, reafirmando o compromisso da PCDF com o combate ao crime organizado e a proteção da sociedade.