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Brasil

Bolívia não é Brics. E não se fala na crise

Alex Rodrigues

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, disse que a conturbada situação política em parte dos países da América do Sul, como na Bolívia e na Venezuela, não deverá ter grande influência sobre as conversas entre os chefes de Estado que participarão da 11ª Cúpula do Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

“Óbvio que, para os chefes de Estado, isto é uma preocupação, mas não acredito que vá influir na pauta [do encontro], que é muito bem definida”, declarou o ministro em entrevista ao programa Revista Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Heleno não descartou a hipótese de algum chefe de Estado se manifestar ou mesmo abordar os últimos acontecimentos políticos durante a cúpula que ocorre de amanhã (13) a quinta-feira (14), em Brasília. Para ele, no entanto, mesmo que isto aconteça, será de forma “discreta, sem cobranças”.

“Não há possibilidade de haver qualquer tipo de discórdia durante o Brics porque o grupo não aborda estes temas políticos e não cobra de seus integrantes posições semelhantes [consensuais]. Cada um pode ter sua posição política que isto não influi no desenrolar das conversas do Brics”, acrescentou o ministro, citando o presidente russo, Vladimir Putin, que, ao contrário do governo brasileiro, manifestou apoio ao presidente da Bolívia, Evo Morales. Segundo a imprensa russa, Putin disse ontem que pretende tratar da situação boliviana durante um almoço com o presidente Jair Bolsonaro – fora, portanto, da reunião de líderes.

“Pode haver alguma manifestação particular em relação a Evo Morales, mas não acredito que isto vá ter influência na reunião dos líderes”, comentou Heleno, hoje.

Além de Putin, são esperados para a Cúpula do Brics os presidentes da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e da China, Xi Jinping, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

Presidida pelo Brasil, a reunião tem como lema “Crescimento Econômico para um Futuro Inovador”. Segundo o Itamaraty, serão discutidos, prioritariamente, temas relacionados à ciência, tecnologia e inovação, economia digital, saúde e combate à corrupção e ao terrorismo.

Renúncia
No último domingo (10), Morales, seu vice, Alvaro García Linera, e parte do primeiro escalão do governo renunciaram a seus cargos. Morales vinha sendo pressionado por crescentes protestos convocados por críticos que acusam o governo de fraudar as últimas eleições, realizadas em 20 de outubro.

Morales obteve 47,07% dos votos, enquanto seu principal concorrente, Carlos Mesa, alcançou 36,51%. Pelas regras eleitorais bolivianas, Morales foi declarado eleito, por ter obtido 10% a mais de votos. Uma missão de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA), no entanto, apontou problemas como a falta de segurança no armazenamento das urnas e recomendou que o pleito fosse anulado e novas eleições fossem realizadas.

Horas antes de renunciar, Morales anunciou que substituiria os atuais membros do Tribunal Superior Eleitoral e novas eleições seriam organizadas. A medida, no entanto, não foi suficiente para aplacar as manifestações. Desde então, com a situação política indefinida, os bolivianos viram a tensão aumentar.

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