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Brasil

Bolsonaro perde apoio e fica cada vez mais isolado

Ekaterina Blinova/Sputniknews - Rússia

O surto de Covid-19 no Brasil está ameaçando sair do controle, enquanto o presidente Jair Bolsonaro está pedindo aos governadores que levantem as restrições aos coronavírus, diz o jornalista brasileiro Alan Dantas. Segundo o jornalista, as paredes estão se aproximando do presidente, enquanto seus ex-aliados estão lhe dando as costas.

O Brasil agora ocupa o segundo lugar em termos de número de infectados, com uma taxa de fatalidade flutuando em torno de 6,4%. Bruno Covas, prefeito de São Paulo, alertou que os hospitais públicos da maior cidade do Brasil estão “quase em colapso”.

O prefeito tem lá seus motivos. Afinal, mais de 90% dos leitos da cidade são ocupados por pacientes com o novo coronavírus. Covas quer que Bolsonaro amplie o isolamento no país, mas não é atendido. Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou que estava pensando em restringir as viagens do Brasil, já que a pandemia no país cresce vertiginosamente.

Falta de gestão
“A situação no Brasil se torna mais crítica a cada dia e o número de contágios e mortes continua quebrando novos recordes a cada 24 horas”, diz Alan Dantas, jornalista brasileiro e editor da Dossier Sul, uma revista política online.

“A falta de capacidade do governo central de trabalhar para evitar esses números está se tornando cada vez mais evidente. O governo de Jair Bolsonaro, junto com empresários [brasileiros], está fazendo campanha para que o país reabra suas atividades econômicas e exponha as pessoas a riscos. Em muitos estados, os sistemas de saúde entraram em colapso e, nas regiões mais pobres, as pessoas permanecem sem assistência médica e morrem em suas casas “.

O jornalista se refere aos vizinhos Argentina e Venezuela, que conseguiram controlar a pandemia devido a medidas estritas de quarentena e até agora relataram 10.649 e 944 casos confirmados de coronavírus, respectivamente.

“O Brasil perdeu o controle da Covid-19 e agora a doença já mata mais do que outros problemas de saúde”, opina Dantas. “O grande problema ainda é a falta de gestão do governo de Jair Bolsonaro, que além de não cuidar da doença, zomba da morte de seus cidadãos”.

Desde o início do surto de coronavírus, Bolsonaro o descartou como um “truque da mídia” e uma “pequena gripe” e sujeitou publicamente as restrições de quarentena ao ridículo. “Todos nós vamos morrer um dia”, disse o presidente em março. Um mês depois, ele encolheu as notícias sobre um aumento nas mortes relacionadas ao coronavírus: “E daí? Sinto muito. O que você quer que eu faça?”.

Por trás das reivindicações de Bolsonaro para abrir o país, há um forte lobby do setor corporativo brasileiro, bem como o lobby financeiro. Anteriormente, o presidente insistia na necessidade de priorizar a economia: “As pessoas estão morrendo? Ah, sim. Mas haverá mais pessoas morrendo, muito, muito mais, se a economia for destruída por essas medidas de bloqueio impostas pelos governadores”, tem dito Bolsonaro.

A narrativa da “crise econômica” de Bolsonaro tem como objetivo convencer os brasileiros de que a economia do país entrará em colapso, a menos que seus governadores levantem o bloqueio.

Pisando em gelo fino
“A situação de Bolsonaro tende a se tornar cada vez mais insustentável”, segundo a ótica de Dantas. “Sua falta de gestão diante da pandemia e da crise pela qual o Brasil está passando faz com que seus índices de popularidade sejam cada vez menores entre a população”.

O índice de aprovação de Bolsonaro caiu para 39,2%, de 47,8% em janeiro, de acordo com uma pesquisa da CNT / MDA, enquanto a desaprovação do presidente aumentou de 47,0% para 55,4%.

As demissões de dois ministros da Saúde e a decisão do ministro da Justiça Sergio Moro de renunciar no final de abril indicam que Bolsonaro está perdendo cada vez mais espaço e ficou isolado no cenário político nacional.

Moro renunciou depois que Bolsonaro demitiu Mauricio Valeixo, o chefe de polícia federal, em uma suposta tentativa de proteger um de seus filhos de processo criminal. “Não entrei no governo para servir um mestre. Entrei para servir o país, a lei”, disse o ex-ministro da Justiça à Time Magazine, comentando o assunto. O presidente denunciou resolutamente as suposições e até chamou Moro de “Judas”.

O cenário [em desenvolvimento] gera muitas questões sobre a continuidade do governo Bolsonaro no médio prazo e se já haveria um cenário propício para um processo de impeachment contra ele, uma carta que já está sendo colocada em cima da mesa. Resta saber se Bolsonaro aceitará passivamente esse processo ou se arriscará a um golpe de estado em meio à pandemia.

Na sexta-feira, o Supremo Tribunal Federal divulgou um vídeo de uma reunião do gabinete mostrando Bolsonaro lamentando sua incapacidade de obter informações dos agentes dos órgãos de segurança lei do país e prometendo proteger os membros de sua família.

O vídeo de duas horas com algumas partes editadas foi tornado público como parte do inquérito em andamento sobre a suposta intromissão do presidente em uma investigação criminal sobre seu filho. Embora a exposição recente tenha aumentado ainda mais as tensões no governo brasileiro, Bolsonaro ainda nega veementemente qualquer irregularidade.

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