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Brasil

Bolsonaro tira petista da DPU e coloca Daniel

José Seabra - Diretor-Editor

Gabriel Faria de Oliveira está deixando o comando da Defensoria Pública da União. O novo defensor-geral será Daniel de Macedo Alves Pereira, que será deslocado do Rio de Janeiro para Brasília.  A decisão é do presidente Jair Bolsonaro, que acaba de enviar mensagem ao Congresso Nacional indicando o substituto.

O mandato de Gabriel acaba em novembro. Ele foi nomeado por Michel Temer como parte do bolo do Poder a que o PT tinha direito. Bem que Gabriel tentou se segurar no cargo para mais um mandato. Mas sua gestão foi catastrófica. E não deu para segurar.

Avesso à moralidade – não que desejasse usufruir vantagens materiais – agradou poderosos corruptos para manter sua cadeira, que ele comparava a um trono do Olimpo. Mas seu voo, como levado nas asas do filho de Dédalo, foi curto.

Algumas decisões contribuíram para a sua derrocada:

  1. Bateu de frente com o próprio presidente Jair Bolsonaro, ao se posicionar incondicionalmente favorável ao aborto, inclusive em manifestação ao Supremo Tribunal Federal;
  2. Alugou, sem prévio processo licitatório, um suntuoso prédio pertencente ao ex-senador Luiz Estevão, condenado a 30 anos de prisão por associar-se ao ex-Juiz Lalau na formação de uma quadrilha de corruptos;
  3. Fez da Defensoria Pública da União uma senzala, declarando-se pseudo feitor. Com a caneta na mão agiu sorrateiramente, perseguindo desafetos, atribuindo-lhes missões como engolir a seco o pão que o Diabo amassou;
  4. Imaginou-se semi-deus. Atropelou a Constituição e o Poder Judiciário ao mover ação contra a imprensa, na tentativa de intimidar profissionais que apontaram alguns dos seus descalabros e atos nada republicanos.

Parece até ironia. A mensagem de Bolsonaro ao Congresso Nacional indicando Daniel Macedo tem o final 13. Justamente o 13 do PT que o agora defenestrado defensor tanto enalteceu.

Apoiadores do futuro novo defensor-geral avaliam que Gabriel, após passar o bastão, vestirá a carapuça e colocará, como um velho eremita insano, as barbas de molho. E os defensores públicos já vislumbram o começo de um novo ciclo.

Dabiel Macedo, sustentam seus correligionários, é sinônimo de integridade, moralidade, justiça e trabalho. E se o mundo vive momentos de cobrança de faturas mal resolvidas, ninguém melhor que um defensor probo para colocar a casa em ordem.

Com a chegada de Daniel, o tempo do amadorismo começa a ficar para trás. Para chefiar a DPU, é necessário habilidade política. Não há espaço para vedetismo. Ao recusar a recondução de Gabriel, Bolsonaro secou mais uma fonte de políticos acostumados a usar cargos públicos em benefício próprio.

Com o veto a Gabriel, o ‘Abre-te Sésamo’ passa a ser menos ouvido em Brasília. E na Defensoria Pública da União, servidores e colaboradores sabem que, com Daniel Macedo, as ações não visarão o benefício de grupelhos.

O amadorismo de Gabriel chegou ao fim. Ele não tinha cacife para manter-se no posto. Simplesmente não estava à altura do cargo de uma instituição séria, que exige musculatura do seu dirigente e uma articulação permanente com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

A abolição da escravatura chegou à DPU. A senzala está sendo fechada. As asas de Ícaro derreteram. E o tombo de Gabriel, já se vê, foi grande.

 

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