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Corte Interamericana

Brasil condenado por não honrar direitos humanos

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Foto/Imagem:
Pontes de Miranda Neto II - Foto Divulgação

Está sendo corriqueira a condenação do Brasil em órgãos internacionais de proteção aos Direitos Humanos. Já no final do ano passado, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) apresentou o caso do assassinato do trabalhador rural Manoel Luiz da Silva, ocorrido em 1997, e mantida até hoje a situação de impunidade.

Segundo a CIDH, o Estado brasileiro é responsável pela violação dos artigos 5 (integridade pessoal), 8 (garantias judiciais) e 25 (proteção judicial) da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, com relação às obrigações estabelecidas no seu artigo 1.1. Também estabeleceu que o Estado é responsável pela violação do direito à integridade psíquica e moral dos familiares de Manoel Luiz da Silva.

O Estado brasileiro apresentou defesa alegando os seguintes fundamentos:

i) não foram esgotados os recursos internos concernentes à elucidação do caso;

ii) o caso encontra-se em tramitação perante o juiz de direito da Comarca de Pilar, Estado da Paraíba;

iii) sua está dentro dos prazos previstos pela legislação processual e que ainda cabe diversos recursos hierárquicos, tais como recurso de apelação, recurso especial e recurso extraordinário;
iv) não foram esgotados os recursos internos;

v) Alega que os denunciantes não entraram com qualquer ação judicial cível pleiteando indenização perante os órgãos judiciários do Estado Brasileiro;

A manifestação, porém, não foi aceita. E a Comissão Interamericana de Direitos Humanos expediu as seguintes recomendações:

1) reparar integralmente as violações dos direitos humanos declaradas no relatório, tanto material como imaterial, incluindo medidas de satisfação e compensação econômica;

2) dispor das medidas de cuidado da saúde física e mental necessárias para a reabilitação dos familiares de Manoel Luiz da Silva, se assim o desejarem e com a sua anuência;

3) realizar uma investigação diligente, eficaz e em um prazo razoável para o esclarecimento completo dos fatos; e

4) adotar medidas de não repetição que incluam um diagnóstico da situação de violência no setor rural do Brasil em decorrência dos conflitos pela terra.

A situação é delicada e envolve a necessidade de discussão sobre a obrigatoriedade de cumprimento dos tratados internacionais sobre direitos humanos por parte das autoridades, a responsabilização dos agentes públicos envolvidos, o combate à impunidade e o direito dos jurisdicionados a um recurso simples e rápido que os protejam contra tais atos.

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