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Arma eloquente

Brasil da selvageria virou filme de terror, mas há a causa e o efeito

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Foto/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto de Arquivo

Aproveitando para comparar a grandiosidade das festividades juninas com a pequenez do governo tenentista, impossível falar de coisas pequenas e não fazer referência ao maledeto encontro da semana passada entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos. Após três anos e meio no poder, finalmente Jair Messias esteve frente à frente com Joe Biden. E o que ocorreu? Nada de anormal para quem pensa, elocubra e age com o fígado. Óbvio que sua cabecinha de mito jamais imaginou prováveis consequências. Por isso, Messias pediu ajuda a Tio Sam para “derrubar” Luiz Inácio, que, na sua avaliação, caso eleito, poderá ser um empecilho às boas intenções dos EUA com o Brasil.

Brincadeira? Não! Sério como ele apregoa o golpe desde que percebeu que a derrota para o principal oponente seria iminente. Coisas de não sabe perder. O problema é que o líder que não lidera não foi informado – talvez tenha preferido a maquiavélica surdez – que Joe Biden é o mesmo a quem ele, Jair Messias, esnobou antes, durante e depois da derrota de Donald Trump nas urnas, nas ruas e nos tribunais. O mundo inteiro conheceu de perto os exageros da adulação da família Bolsonaro ao antecessor de Biden. E agora querem o apoio dele para, fora das quatro linhas da Constituição, não se afastarem do poder. Pode não parecer, mas realmente é uma brincadeira de péssimo gosto.

A revelação dos bastidores do encontro reservado entre os dois presidentes mostra duas vertentes bem distintas. Acho que elas foram as razões para tanto incômodo do chefe do governo da republiqueta de bananas. A primeira é a crença bolsonarista de que tudo pode ser resolvido na força, na sacanagem, na brutalidade, no golpismo. A segunda deixou muito claro para os simpatizantes do fundamentalismo que o mandatário dos EUA não é uma anta como talvez eles imaginassem.

Pelo contrário. Biden e seus assessores, bem mais inteligentes do que os nossos, mostraram, sem gritos e xingamentos, que vão continuar mandando, preferencialmente negociando com um governante democrático e verdadeiro. O amor platônico de Bolsonaro por Trump não apoquenta mais o dono do mundo. Na verdade, não atormenta nem mesmo os fantasmas do castelo do Drácula. O que preocupa o povo é saber que ainda faltam pelo menos sete meses para o fim do filme de terror em que se transformou a administração do país.

O Brasil nunca foi e não é, mas está perverso, cruel, fantasmagórico, truculento, bárbaro, desumano e até selvagem. É uma selvageria gratuita e com objetivos únicos de mostrar poder. Matar indígenas, indigenistas e jornalistas com apoio superior apenas para derrubar florestas impunemente é o mesmo que exigir licença para rebatizar a nação de Casa da Mãe Joana. Pior de tudo é o governo fardado reforçar o discurso da inoperância e da incapacidade contra o processo eleitoral.

Aliás, querem acabar com um sistema que há anos faz deles presidente da República, senadores, deputados federais e estaduais e até vereadores. Por tudo isso, faço minhas as palavras de um importante e respeitado colunista brasileiro, para quem as Forças Armadas têm quatro meses para optar entre a Constituição e o presidente Bolsonaro. Ou seja, entre a democracia e a volta da tirania. Do lado civil, a melhor e mais eloquente arma ainda é o voto livre, secreto e soberano. Que ninguém esqueça que não há causa sem efeito.

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