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Beleléu é aqui

Brasil desenhado pelo bolsonarismo ainda não saiu do papel

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Foto/Imagem:
Mathuzalém Júnior* - Foto de Arquivo

Mal necessário e indispensável para que se consiga alcançar um objetivo maior, as pesquisas de intenção de votos são defendidas e odiadas na mesma proporção das decisões judiciais. A semelhança da insatisfação ou do prazer em relação a uma ou a outra é embalada pelo resultado. Quem ganha, ama e comemora; quem perde, odeia e lamenta. A reação é natural e faz parte de ambos os jogos. Se há culpas, elas não devem ser creditadas ao sistema eleitoral, que se limita a contar votos, tampouco ao Poder Judiciário, cuja função é de intérprete das leis criadas pelo Legislativo. Culpadas são as filigranas da lei. Ao mesmo tempo em que elas permitem recorrer à exaustão, acabam mostrando a fraqueza e a incompetência do candidato que não decola. Simples assim.

O problema é explicar algo tão simplório àqueles que adoram complicar o que fingem não entender. Por exemplo, é impossível mostrar a esse pessoal que a violabilidade da urna eletrônica é uma deslavada mentira, inventada por um presidenciável e seguidores preocupados apenas em explicar uma iminente derrota. Outra dificuldade – talvez a maior – é tentar colocá-los com os pés no chão. Como? Mostrando que o país que eles imaginam e “compram” diariamente só existe nas redes sociais ou nas lives montadas em plataformas falsas e com textos que não se sustentam sequer com uma chuva de papéis picados.

O Brasil desenhado pelo grupo que está no poder ainda não saiu do papel. E, por absoluta falta de conhecimento e de preparo, provavelmente não sairá. Ficará o dito pelo não dito. A anunciada fraude jamais será provada. Sobrarão as mentiras sempre verdadeiras e, se nada mudar em outubro, a quebradeira generalizada. Mais uma vez tenho de recuperar o óbvio. Apesar das evidências, é comum aparecer alguém negando fatos e tentando emplacar virtudes a esse (des) governo. Sem viagens mais longas, não podemos esquecer os quase 700 mil mortos pela Covid, as coberturas orçamentárias de destino incerto, a fome, a escassez de alimentos e o segredo das transações com dinheiro público.

Ainda bem que, após a escuridão, sempre existe outro dia, outros sonhos, outros risos, outras pessoas, outras coisas e, principalmente, outros presidentes. Sorte de uma nação quando seu povo percebe que o silêncio consciente e
consciencioso é a pior das omissões. Melhor ainda é quando a massa decide ignorar os “convites” do porão e opta por viver sem perder a fé, amar sem perder a ternura e seguir sem perder a esperança. Já ouvi disparates do tipo o Brasil irá para o beleléu e se transformará rapidamente na pátria do comunismo caso se confirme a derrota do candidato que, caso tenham esquecido, foi um dos poucos no mundo a defender Vladimir Putin quando da invasão da Ucrânia.

É o mesmo que, por pura sacanagem, adjetiva o adversário e apoiadores de comunistas. Reitero a dificuldade de mostrar dados negativos para quem vê positividade onde impera a negação. Entretanto, antes que haja a necessidade de binóculos para encurtamos as distâncias entre os principais candidatos à Presidência da República, melhor que eu reafirme minha confiança nas pesquisas e no sistema eleitoral. Mais do que isso, nada me impede de apostar que, além de curta, grossa, objetiva e retumbante, a resposta à mentirada tirânica está escrita nas 27 estrelas da Bandeira Nacional.

Quanto ao beleléu, tudo indica que seja um lugar de localização indefinida. Em alguns mapas, fica além das cucuias. Em outros, faz fronteiras com o cafundó do Judas e com o raio que os parta. Enfim, beleléu tem algumas características estranhas. Nenhum dos matos têm cachorro e todas as suas vacas estão no brejo. Portanto, se pesquisarmos com um mínimo de vontade e sem nenhuma ideologia, concluiremos que, ao contrário do Haiti, o beleléu é que é aqui. E será por muito tempo se mantivermos o status quo, também conhecido por estado das coisas. Prefiro desafiar esse tal status quo. É da natureza dos inconformados não seguir o efeito da manada, defender novas ideias e buscar algo melhor. Estou nessa.

*Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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