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Solução sem armas

Brasil regride várias décadas em apenas três anos com Bolsonaro

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Foto/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto de Arquivo/Marcello Casal Jr

Especialista na arte de produzir crises desestabilizadores, um craque na tentativa de minimizar agruras, o capitão denominado só não conseguiu ainda dizer a que veio. Embora se ache moldado para o cargo, falta-lhe um mínimo de conhecimento político-administrativo para comandar um condomínio. Imaginem uma nação com 213,2 milhões de pessoas cobrando algum feito. Na verdade, cerca de 30% desse contingente populacional não têm dúvida de que ele realmente é notável, hábil, exímio, um gênio recém-saído da garrafa. Uma pena pensarem assim, pois os demais brasileiros também irão para o buraco. Em verdade, já foram.

Incrível, mas tudo que ocorre de ruim no país do faz de conta é culpa do Supremo Tribunal Federal, da maioria de seus ministros e dos comunistas, terminologia que nenhum seguidor fanático sabe definir. Agora, após inocentarem um ex-presidente acusado diariamente de ladrão, os integrantes da Organização das Nações Unidas passaram a dividir com o STF as responsabilidades pelas mazelas, infortúnios e enfermidades sociais e pessoais do Brasil. Portanto, fácil concluir que batutas e gênios ótimos são os defensores da ditadura, da ivermectina, da cloroquina, da gasolina a R$ 8 e da inflação de dois dígitos.

O desemprego, a fome, a invasão de terras indígenas e o desmatamento a olho nu são invencionices dos comunas. Nada disso existe no país da seita bozolítica. Na avaliação sonhadora e fundamentalista do grupo, vivemos um mar de rosas murchas, mas estamos felizes. Afinal, temos (?) um presidente personalista, mas que dorme e acorda pensando em todos indistintamente. É um líder que trabalha firme e com braços fortes para que, a curto prazo, sejamos a pátria da paz, do amor, da pujança, da alegria, do crescimento econômico, da honestidade política, do reconhecimento internacional e da fartura. Claro que da fartura. Em breve, fartará de tudo, inclusive a vontade de ser brasileiro.

Pois é para isso que lutam os patriotas forjados no barro esverdeado do parquinho de diversão dos palácios presidenciais. Nós, os comunistas, é que fazemos mal para o país. Se não inventamos, fomos nós os motivadores da dimensão tomada pela pandemia na Terra Brasilis. Somos culpados pelos 30,5 milhões de infectados e pelas 664 mil mortes em solo nacional. E sabem por quê? Porque não nos rendemos às tubaínas receitadas às escondidas nas esquinas de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e demais capitais. Às escondidas porque poucos foram os governadores que, com apoio explícito do STF, não se renderam à esparrela da gripezinha.

Não é perseguição, mas a síntese desses últimos três anos e meio é simples: o diagnóstico de genialidade do mandatário esbarra na falta de respostas para a avalanche de porquês, de dúvidas. Entretanto, apenas um mereceria feedback claro, sem censura e longe da demagogia barata dos garantidores (leia-se Centrão) do presidente. Se o governo está bem próximo da insolvência, se o comandante não consegue cumprir com suas obrigações, porque não tentarmos evitar a falência da nação. Como? Elegendo quem tenha soluções sem armas para tirar o Brasil do acostamento.

Faz parte do jogo político o técnico entregar o cargo quando o time não ganha. Apesar de informações contrárias (as populares fake news), infelizmente regredimos várias décadas de progresso nesse período de divisão, gritos, ameaças, incitamentos à violência, degradação, golpismos e nenhuma ação confiável. O povo (não a massa de manobra) perdeu a esperança. Faltam resultados. Perdemos o jogo da confiança. Contra fatos não há argumentos. O fracasso é óbvio. O medo do continuísmo também. Então, por que aceitarmos como vencida uma disputa que está apenas começando? Reagir é um dever de quem está insatisfeito. Ainda que lentos, temos de dar passos à frente, deixando pessoas retrógradas para trás.

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