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Que fase!

Brasil tenta virar jogo do descrédito contra Escócia no tudo ou nada

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto de Arquivo

Criada em 1914, a Seleção Brasileira de Futebol é a mais vitoriosa do planeta bola e a única a participar de todas as 23 edições da Copa do Mundo. Detentora de cinco títulos mundiais (1958, 1972, 1970, 1994 e 2002), a “Amarelinha” se transformou no principal símbolo global do esporte e do futebol-arte. Desde a primeira partida, em 21 de julho de 1914, no estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, a habilidade natural dos jogadores chamou a atenção, mesmo durante a tragédia do Maracanã, em 1950.

A identidade do futebol canarinho se consolidou com as três primeiras grandes conquistas, as quais foram vencidas graças aos paredões Gilmar e Félix, aos dribles de Garrincha e de Pepe, à chegada de Vavá e de Amarildo, à classe de Nilton Santos e de Djalma Santos, à categoria de Carlos Alberto Torres, de Piazza e Everaldo, à sabedoria de Tostão, ao petardo de Rivelino, à confiança de Clodoaldo, à rapidez de Jairzinho, à canhota certeira de Gerson e, obviamente à genialidade de Edson Arantes do Nascimento, o eterno Pelé.

Considerado por muitos especialistas nacionais e estrangeiros como o melhor time de todos os tempos, o esquadrão liderado por Pelé, Tostão, Gérson e Jairzinho encantou o mundo em 1970, no México, onde mostrou um estilo de jogo ofensivo e vistoso. Voltamos a encantar o mundo da bola em 1982, na Espanha, país que, antes da tragédia do Sarriá, diante da Itália de Paolo Rossi, Zico, Falcão, Sócrates, Júnior e Toninho Cerezo desfilaram o talento inigualável da “pátria de chuteiras”.

Excesso de brasilidade ou força do hábito, o inigualável é coisa do passado. O atual momento da Seleção Brasileira é amplamente debatido como um fracasso histórico e de longo prazo. Depois de Felipão, nem Deus ajudou. O time acumula mais de duas décadas sem conquistar uma Copa do Mundo e, para variar, enfrenta graves problemas estruturais, campanhas ruins nas Eliminatórias e instabilidade tática, técnica e administrativa.

A desculpa de que a europeização precoce de jovens talentos dificulta a maturação ou vivência dos jogadores em território nacional é, além de esfarrapada, medíocre. O fenômeno ocorre em todos os continentes, particularmente na América do Sul. Ao lado do Brasil, Argentina, Colômbia e Equador são grandes exportadores de talentos. Apesar disso, nessas duas últimas décadas esses três países sobram quando jogam contra a “Amarelinha”. Não à toa, os argentinos são campeões do mundo.

Perderam o medo? Estão jogando mais? Investem melhor? Roubam menos? Acho que um pouquinho de cada coisa. O fato é que vivemos a pior fase da história do selecionado verde e amarelo. O período de crise recente é marcado por marcas negativas sem precedentes, entre elas o pior aproveitamento em Eliminatórias (51%) e a pior colocação no ranking da Fifa (42º. lugar). A classificação para a Copa de 2026 foi na marra: terminamos na 5ª. colocação, com seis derrotas.

Como torcedor e patriota convicto, torço para que o Brasil jamais fique fora de uma Copa do Mundo. O que ninguém jamais imaginou já chegou. Quem não se lembra da goleada de 7 a 1? Mesmo sem força, sem vontade e sem futebol, não seria má ideia se o jogo do descrédito começasse a mudar hoje contra os escoceses puro malte. Vamos que vamos!

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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