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Falando em Copa...

Capitão está com saco das bolas murcho

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Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto Editoria de Artes/IA

Leitor voraz desde menino ranheta, quando me acabava na mão depois de ler o catecismo de Carlos Zéfiro, sempre gostei de novidades literárias da roça, da cidade e do exterior. O que não gosto é de escrever na primeira pessoa do masculino, pois sempre sou obrigado a, no fim da história, informar e reinformar que não sou protagonista de coisa alguma. Entretanto, adoro me passar pelo espantalho do roçado plantado e regado pelo vizinho corno da rua detrás.

Além da horta, ele também era proprietário do único, malcheiroso e saudoso castelo do bairro. Para quem não sabe, castelo era o nome dado às casas de saliência de antigamente. Bem antigamente. Depois elas se tornaram cabarés, bordéis, casas de lenocínio, inferninhos, vilas mimosas, casas da luz vermelha e acabaram poeticamente batizadas de assembleias legislativas, câmaras municipais e Congresso Nacional, onde estão boa parte dos filhos das moças da Boate Azul.

Com a globalização, hoje os velhos e inflamados prostíbulos estão limitados a adjetivações eufemísticas do tipo pesque e pague, casa de repouso, retiro do prazer, lar do amor puro e verdadeiro e, após o tarifaço de Donald Trump, de rendez-vous. Com sonorização importada, as mais caras viraram fast food. Frequentador informal desses recintos pouco recomendáveis, aprendi tudo que sei sobre a gramática machista utilizada a rodo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e por sua ruma de desconexos e fanáticos seguidores.

Por exemplo, para mim o cão sempre foi o melhor amigo do homem. Na linguagem dos preconceituosos, o feminino do cachorro lembra a mulher de afazeres menos republicanos. Vagabundo pode ser o homem que não faz nada. É o oposto do homem que faz de tudo um pouco. E touro? Trata-se de um homem forte. Já a mulher dele é…Deixa pra lá. Para a turma do preconceito, o cabra que anda de lado normalmente é confundido com uma borboleta voadora.

É sempre assim. Desde que o mundo é mundo, os detratores só se defendem atacando. Deliberadamente, eles se esquecem que, nas disputas de carrinhos de rolimã pelas ruas do bairro que representavam, a maioria soltava a rodinha antes mesmo de completar a terceira volta. Acabava o Natal e, sob o argumento do carnaval, a petizada começava a pintar as sandálias de verniz e de dourado. Nada contra, mas tudo a favor da máxima do falecido Clodovil Hernandes, para quem o garrafão que levou querosene nunca perde o cheiro.

Foi me passando pelo espantalho do dono da horta e escorado na informalidade das casas de saliência que fiz minha primeira solda no pescocinho de frango. Usei conscientemente do meu livre arbítrio na adolescência e juventude, jamais renunciando à camisinha quando chegava à cama da vizinha. Saudade do Zéfiro, da Playboy e da novela das oito, horário em que a noiva velha era trocada por oito novas. Na época das TVs para tudo, inclusive para o sexo vespertino, ouvi dizer que a televisão engorda. Concordo, mas tudo depende de quantas a gente come.

Saudades desse tempo, quando, mesmo ruim, tudo era bom, Saudades da época em que o Japão era somente uma terra de samurais de bilaus minúsculos. Na segunda (29), os japas serão nosso adversário no mata-mata da Copa de 2026. No sentido figurado, é claro, que mate primeiro aquele que tiver a pistola 4.0, com cano longo, digitador analógico na ponta dourada e jato forte para evitar o revide. Se vencermos, no fim do jogo, com todo o carinho que os japoneses merecem, podemos chamar o capitão para lembrá-lo, em japonês, que Tusako Tamusho.

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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

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