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Veículos

Carro autônomo é utopia ou será realidade?

Foto/Divulgação
Rafaela Borges

Dos carros atuais, vários já têm sistemas básicos de funcionamento autônomo, como auxílio a frenagem de emergência e sensores e câmeras que detectam obstáculos. Trata-se do nível 2, de uma escala que vai até 5, na qual o veículo não terá volante nem pedais (veja os detalhes abaixo). Mas há tantos entraves a serem vencidos que ninguém se arrisca a dizer quando os modelos sem motorista chegarão às ruas.

Por ora, o único carro a contar com tecnologias do nível 3 é o sedã alemão Audi A8. Alguns especialistas dizem até que o carro autônomo de nível 5 dificilmente se tornará realidade.

A principal dificuldade está ligada à infraestrutura. Para que um veículo possa rodar sem nenhuma interferência humana, é preciso haver vias e rede de telecomunicações preparadas para isso.

A legislação também deve estar adequada aos novos tempos. Em caso de acidente, quem será o responsável? A fabricante do carro, a prefeitura, o Estado, a operadora de rede de celular (entre tantas outras empresas e agentes públicos)?

De acordo com o CEO da Waymo, John Krafcik, ainda levará décadas para que os carros autônomos estejam nas ruas. Ele diz que, mesmo quando isso ocorrer, eles não serão capazes de agir por conta própria em 100% das situações.

Krafcik é autoridade no assunto. A Waymo faz parte do conglomerado do Google e é parceira da FCA e da Jaguar Land Rover no desenvolvimento de tecnologias para carros autônomos.

Para alguns especialistas, há situações em que será impossível dispensar o motorista. É o caso de locais remotos e com falhas no sinal de GPS, essencial para que o autônomo possa “se guiar”.

Estradas de terra, sem faixas pintadas e as com baixa incidência de placas de sinalização são outro problema grave. Isso é frequente em países como o Brasil, onde nem mesmo há padronização das dimensões das placas.

Um veículo autônomo também enfrentaria percalços ao cruzar a fronteira de um país para outro nos dias de hoje. Nesse caso, mudam não só as leis, mas também os sinais de trânsito.

Por ora, o nível viável é o 4. Esse tipo de carro é considerado semiautônomo, justamente por precisar da ação do motorista em algumas situações.

É o caso do Renault Symbioz, protótipo revelado em 2017 durante o Salão de Frankfurt, na Alemanha. O modelo, com volante e pedais retráteis, é capaz de se transformar em uma sala.
E já há conceito com tecnologia de nível 5. Como o Mercedes-Benz F015, de 2015, o Smart Vision EQ Fortwo e o Cruise EV.

Três das quatro montadoras de luxo que vendem carros com sistemas semiautônomos no Brasil têm visões diferentes sobre o nível 5 de automação.

Para a Volvo, o carro autônomo não é utopia. “A partir do momento em que a marca lançar modelos dotados com essa tecnologia, eles farão seus deslocamentos sem intervenção do motorista”, informou em comunicado.

De acordo com a BMW, além da tecnologia da fabricante, é preciso haver infraestrutura das cidades e de comunicação para viabilizar a automação. A montadora informa ser capaz de entregar os sistemas, mas eles também dependem do entorno.

Por enquanto, a marca trabalha para lançar o iNext (foto abaixo), com estágio 3 de automação, em 2021. A versão conceitual desse veículo foi apresentada no ano passado, no Salão de Los Angeles (EUA). Porém, ainda não prevê data para colocar no mercado veículos níveis 4 e 5, embora o primeiro comece a ser testado em 2021.

Diretor de marketing e vendas de automóveis da Mercedes-Benz, Holgar Marquardt diz que, na maioria dos veículos de condução autônoma, ainda estão sendo previstos volante e banco do motorista. “Ficará a cargo do condutor a decisão sobre querer ou não dirigir.”

Para o executivo, os veículos 100% autônomos deverão mudar a maneira como nos relacionamos com os automóveis, com a troca do foco na posse para o foco no uso. “Existem desafios nessa área, como condições fora de estrada ou diferentes regras de trânsito entre os países, mas acreditamos que todos esses pontos serão resolvidos ao longo do tempo”, afirma.

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