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Alma podre

Casa do show de horrores aprova pacote de bondades para o “seu povo”

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Com apoio explícito e implícito da chamada grande imprensa e supostamente até de setores do Supremo Tribunal Federal, a oposição ao presidente Luiz Inácio, liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), derrubou nessa quarta-feira (29) a indicação do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, ao STF. Reiterando o que disse, Jorge Messias foi só o pretexto. A ordem é fazer tudo para impedir a quarta encarnação de Lula da Silva na Presidência da República. Agora foi a vez da dosimetria das penas aplicadas aos golpistas.

Nenhum brasileiro com pelo menos dois neurônios discute o erro de Lula ao não negociar com Alcolumbre o envio do nome de Messias ao Senado. Como um erro não se corrige com outro, não há como avaliar com normalidade a ideia do senador em atender os companheiros de oposição emparedando o presidente que lhe emprestou dezenas de cargos para atendimento a seus apaniguados. Perder ou ganhar faz parte de qualquer disputa esportiva, social e política. A diferença é a forma como se perde ou se ganha.

A rejeição a Messias não foi somente um golpe político contra Lula da Silva, conforme noticiou a imprensa internacional. Foi a vitória de um grupelho aparelhado para transformar o Brasil no quintal das casas de seus representantes. Traições e negociatas escusas à parte, os participantes da manobra para derrotar o presidente da República um dia certamente experimentará do próprio veneno. Alcolumbre sabe disso. Ele negocia pautar o impeachment de ministros do STF em troca do apoio à reeleição dele à presidência do Senado e, portanto, pode ser a primeira cobaia.

Na verdade, se comprovadamente alguns ministros da Corte Suprema trabalharam pela rejeição de Jorge Messias, os primeiros serão eles. Tudo em nome do poder. Jogar sujo ou visando lucros futuros, como faz o senador pelo Amapá, não significa grandeza. Muito pelo contrário. Pior do que um corpo sujo é uma alma podre. Infelizmente é assim que eu e milhões de brasileiros enxergamos os deputados e senadores que posam de vencedores diante do fracasso e da amargura de um ser do bem, como é Jorge Messias. Ou seja, o vencedor não é aquele que chega primeiro, mas aquele que chega íntegro.

Considerando que o presente político está enlameado, independentemente de quem vença a corrida presidencial, o futuro do país não parece nada promissor.  E tudo começa neste Congresso Nacional que se diz do povo, mas não passa de uma casa de show de horrores doente, nojento e repugnante. A segunda ameaça da semana foi concretizada na tarde desta quinta-feira (30). Por maioria de votos, deputados e senadores derrubaram o veto do presidente da República ao projeto que trata da dosimetria de penas, o que  beneficiará o ex-presidente Jair Bolsonaro e centenas de terroristas presos por conta do 8 de janeiro de 2023.

Embora os “meninos” e “meninas” contrários à vitória de Lula tenham quebrado o Congresso, o Palácio do Planalto e a sede do Supremo Tribunal, para a oposição os condenados apenas participavam de um piquenique na Praça dos Três Poderes. Com toda pompa e toda glória, as excelências que um dia precisarão de votos aprovaram um exclusivo pacote de bondades para o “seu povo”. Como não dizer que esse Congresso é contra a democracia e contra o povo ordeiro e trabalhador? Com a palavra as excelências do STF. Quanto ao povo, tudo deverá ser dito na noite de 4 de outubro. Quem viver, verá!

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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