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Filho curioso

Casa não se mexe, é verdade, mas que tem vida, tem

Foto/Divulgação
Anelisa Lopes

Dia desses escutei uma pergunta muito interessante do meu filho de quatro anos, que me questionou se nossa casa tinha vida. Num primeiro momento, respondi que não, que não era um ser vivo, mas, logo depois, mudei de ideia e disse que sim. E vieram muitas dúvidas por parte dele, obviamente; a principal, porém, era como ela poderia ser viva se não se mexia.

Durante muitos anos, principalmente antes de ter filhos, cada cômodo da minha casa se mantinha impecável: móveis alinhados, roupa de cama esticada, almofadas no lugar e nenhuma mancha nas paredes. Por trás de toda essa “assepsia”, no entanto, havia uma dona de casa, no sentido literal da palavra, que não se contentava com as disposição dos elementos.

Não era capaz de passar mais de um mês com a decoração da mesma forma. E isso não só implicava em mudar tudo de lugar a toda hora, como também comprar, comprar e comprar. Havia uma ânsia em tornar o ambiente acolhedor, mas, ao mesmo tempo, esteticamente perfeito, com tudo em seu devido lugar.

Com o passar dos anos, no entanto, as memórias, os cheiros e as marcas foram tomando espaço. E, aos poucos, fui deixando que elas se incorporassem aos cômodos como lembranças. As adaptações continuavam, mas não de uma forma para deixar o local somente cada vez mais bonito, porém, mas funcional e adaptado ao meu dia a dia.

E, acredito que dessa maneira, minha casa, sim, foi se tornando viva. Dar vida a uma casa não é acumular elementos nem copiar imagens do Instagram. É imprimir personalidade e histórias ao seu espaço de uma forma descontraída, mas estruturada.

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