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Acampamento Renascer

Casinhas de pau a pique, no tranco e suor do rosto

Publicado

Autor/Imagem:
Brenda Abreu

O Movimento de Apoio ao Trabalhador e Trabalhadoras Rurais (MATR), criado em 1997, fundou o Acampamento Renascer há 13 anos, que abriga atualmente 102 famílias. Localizada dentro da Fazenda Sálvia, em Planaltina, a ocupação teve uma vitória na Justiça em 2009, três anos após a ação ter sido iniciada, quando o Instituto Nacional de Reforma Agrária (INCRA) cedeu a eles as terras em que estavam acampados.

Uma das moradoras do acampamento, Maria de Fátima Alves dos Santos, 52 anos, cursa Licenciatura em Educação do Campo pela Universidade de Brasília, com um objetivo admirável: auxiliar os companheiros na formação. “Acredito que a educação possibilita aos sujeitos do campo construir conhecimentos para garantir seus direitos, dentre eles o direito à terra. Então, educar, sobretudo, é conscientizar aqueles que foram excluídos desde os tempos da colonização do país”, explica. As aulas acontecem aos sábados.

O que falta no Renascer é um projeto de assentamento do INCRA, mas isso não impediu os moradores de construírem seus lares. As casinhas foram feitas com pedaços de madeiras e outros materiais recicláveis, e os acampados possuem ainda uma roça onde criam galinhas e cultivam hortaliças. “Todas as pessoas que estão no acampamento construíram suas próprias casas, ajudando uns aos outros. Nada do que temos aqui contou com a ajuda do governo”, conta Maria de Fátima.

Eles se mobilizaram e juntos conseguiram levar ao acampamento água e luz. “Já tínhamos postes para luz que a CEB colocou no intuito do projeto de assentamento, que não aconteceu. Então, aproveitamos o serviço e puxamos a luz para as residências”, explica a estudante. Os moradores não tiveram ajuda da Caesb para receberem água encanada, então, compraram canos e organizaram para que acontecesse a distribuição. “Em pleno século 21, não dá para viver na situação sub-humana que vivíamos três anos atrás, sem nenhum desses serviços”, desabafa.

Sobre as ocupações e o seu significado, Fátima cita uma belíssima frase do bispo Tomás Balduíno, homem que dedicou sua vida na defesa dos camponeses, indígenas, Sem Terras e todos empobrecidos e historicamente injustiçados. “Terra é dignidade, é participação, cidadania, democracia. Terra é festa do povo que, por meio da mudança, conquistou a liberdade, a fraternidade e a alegria de viver”. Maria faz relação da fala com o Renascer. “Somos acampados com toda essa simbiose de múltiplas alegrias, angústias e conflitos, sem perder a esperança de conquistar o direito à terra”.

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