Justiça sob lupa
Caso Zambelli abre ferida de privilégios políticos
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A extradição de Carla Zambelli para o Brasil reacende um velho debate sobre justiça e privilégio. A parlamentar deverá cumprir pena na penitenciária feminina da Colmeia, em Brasília. No entanto, há quem diga que Zambelli estava, paradoxalmente, em situação mais confortável na Itália; não necessariamente pelas condições materiais, mas pela distância simbólica de um sistema judicial que, aqui, costuma ser visto com desconfiança.
Essa percepção não surge do nada. No imaginário coletivo, consolidou-se a ideia de que, no Brasil, o peso da lei pode variar conforme o poder econômico e político do réu. Bons advogados, trânsito em gabinetes influentes e capacidade de mobilizar redes de apoio acabam funcionando, muitas vezes, como uma espécie de “segunda instância informal”, onde decisões são tensionadas para além dos autos. É um problema estrutural, que não se limita a um nome ou a um caso específico, mas que ganha visibilidade sempre que figuras públicas enfrentam a Justiça.
O caso de Zambelli, portanto, ultrapassa a figura da própria deputada. Ele toca em uma ferida mais profunda: a sensação de que a igualdade perante a lei ainda é, no Brasil, mais promessa do que realidade. Se, por um lado, sua extradição pode ser vista como um sinal de que as instituições funcionam, por outro, o desfecho de sua pena será observado com lupa.