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Sniper à espreita

Clima de tensão na PF pode mudar a segurança de Lula

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José Seabra - Diretor Editor/Foto Reprodução

Começa a ganhar corpo um quadro de uma ainda incipiente revolta dentro da equipe da Polícia Federal encarregada da segurança de Luiz Inácio Lula da Silva, candidato da Federação PT-PV-PCdoB ao Palácio do Planalto. Não, caro leitor, a insatisfação não é com o ex-presidente, mas manifestada diretamente contra a coordenação da equipe.

O clima é de tensão. A quase totalidade da equipe, composta por cerca de 90 federais, entre delegados e agentes, questiona a postura do coordenador-chefe – e sobre ele jogam suspeições. Essa situação fica clara com a frase na parte externa da sala ocupada pelo comando da segurança, na sede da PF em Brasília: “Se eu fosse você não entraria. Clima tenso”.

Lá dentro, sentado numa confortável cadeira (dizem que da queridinha marca Giroflex) está o delegado Andrei Augusto Passos Rodrigues. Mas, quem é Andrei? Aí reside o principal problema – e motivo de apreensão que já teria chegado ao conhecimento do próprio Lula. O delegado Andrei ocupa um cargo de confiança no governo de Jair Bolsonaro: a chefia da Divisão de Relações Internacionais da Polícia Federal.

Na prática, Andrei é chefe de uma área que pode exigir sua ausência do país a qualquer momento, para atender a uma eventual demanda do seu campo de atuação em qualquer ponto do planeta onde o Brasil tiver acordo de cooperação na área policial. Nessa hipótese, como ficaria a segurança de Lula, indaga um experiente delegado federal, que assiste de longe, segundo ele pela primeira vez, o fato de um colega manter uma missão quando pode ser exigido, a qualquer momento, para comandar uma operação de risco.

Esse mesmo delegado, que pede anonimato para não ser acusado de supostamente inflamar a divisão na equipe, responde: Andrei precisa fazer uma opção. Ou Lula, ou viagens, mesmo que intempestivas, ao exterior. Na condição atual, afirma, é como servir a Deus e a Mamon. Para quem não se recorda – e este é um lembrete do escriba -, mamon, palavra de origem hebraica, é dinheiro. E quem assume duas missões impossíveis, fatura em dobro, como se escudado fosse por costas quentes.

Há ainda mais um ponto enfatizado por membros da segurança do candidato da Federação Brasil Esperança. Trata-se da agenda de Lula, que vira e mexe é literalmente mexida pelo delegado, deixando irado Gilberto Carvalho, coordenador da campanha do ex-presidente, a ponto de arrancar tufos dos seus já ralos cabelos.

Andrei muda, sem aviso prévio, o percurso por onde deve passar a comitiva de Lula. O argumento do delegado é questão de segurança. Claro que nada vai acontecer, embora as preocupações sobre um eventual atentado contra o ex-presidente cheguem ao nível 6, apesar de a escala oficial ter o cinco como grau máximo. Por sorte, para compensar essa pedra no sapato, Lula tem ao seu lado cinco militares de sua inteira confiança.

Mas, uma pergunta que não pode deixar de ser feita: e se, numa dessas inexplicáveis e repentinas mudanças de percurso, tiver um sniper pela frente?, questiona a fonte de Notibras. Nem é bom pensar, responde ele mesmo, rápido. E encerra: por hoje chega.

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