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Mulher

Como alimentar os filhos durante a quarentena?

Juliana Carreiro/Edição de Carolina Paiva

Não dá pra resumir o grupo das mães em uma única figura, somos tão diversas quanto a nossa população o é. Durante a pandemia, esta diversidade ficou ainda mais latente.

Como não se pode fazer diferente, é bom focar na alimentação saudável, que virou um grande desafio neste momento, assim como o nosso papel de educadoras alimentares, que exercemos ao lado dos pais ou de quem divide conosco a criação dos pequenos.

A vontade, como mãe, era a de dar um abraço em cada uma de vocês, mas o que posso fazer é dar alguns conselhos, daqueles maternos, de acordo com o que também tenho vivido.

1 – Máscara de oxigênio
Quem já andou de avião deve se lembrar da orientação que recebemos: em caso de emergência, coloque primeiro a sua máscara para depois colocar a das crianças. Visto que eles são nossos dependentes, deveria ser óbvio que precisamos estar bem para cuidar deles. Mas a realidade é muito diferente. Quando seguimos nossa rotina no modo automático, é muito fácil dedicar toda nossa atenção aos filhos, ao trabalho, ao/a parceiro/a aos familiares e à casa, negligenciando nossas necessidades.

Com a alimentação não é diferente. Já ouvi muitas mães dizendo que ficam tão cansadas com as tarefas diárias que não querem nem comer, preferem usar o pouco tempo restante para descansar. Outras tantas, alimentam bem toda família, mas quando chega sua vez, preferem um ultraprocessado, que é mais prático, não suja louça e, muitas vezes, é relacionado a uma sensação de conforto, de prazer, que vem em forma de recompensa pelo trabalho duro.

Se você se enquadra neste perfil, fique atenta aos riscos de deixar sua saúde alimentar de lado. É da comida que você tira toda sua energia. Quanto mais nutrientes ingerir, mais força terá para encarar as batalhas do dia a dia. Você só encontra as vitaminas e os minerais que precisa nos alimentos naturais: frutas, verduras, legumes, cereais, leguminosas, raízes e oleaginosas. E eles devem ser consumidos ao longo de todo dia, de preferência a cada três horas. Assim, irão fortalecer o seu sistema imunológico, nós mães não temos nem tempo de ficar doentes; vão ajudar a equilibrar as emoções, estamos com a saúde mental sobrecarregada, então é sempre bom evitarmos o excesso de ansiedade, irritação, apatia, que podem ser frutos de uma alimentação pobre; e vai nos deixar mais concentradas, com raciocínio mais rápido e mais preparadas para os desafios diários, visto que a falta de nutrientes e os ultraprocessados roubam a nossa energia, a nossa disposição e a nossa capacidade de raciocínio.

Vale lembrar que você também pode encontrar o conforto e a recompensa que tanto merece em pratos nutritivos, a internet está cheia de receitas rápidas, práticas e muito gostosas.

2- Privilegie alimentação das crianças
É difícil encontrar uma mãe que não esteja sobrecarregada na pandemia, cada uma à sua maneira, assim como é raro conhecer alguém que não precisou estabelecer prioridades e abrir mão de algo que fazia antes, como vocês podem perceber, a periodicidade deste blog caiu bastante desde o início do ano passado. Muitas vezes, o que tem sido deixado de lado é o cuidado com a alimentação dos pequenos. É fato que promover uma alimentação saudável exige tempo, trabalho e dedicação. Fazer as compras do mês ou da semana, com alimentos frescos, gerir esses insumos pra que não haja desperdício, cozinhar ou demandar um cardápio diário variado e nutritivo e, principalmente, fazer com que os pequenos aceitem os alimentos naturais e evitem os artificiais. Ufa. É realmente um desafio, principalmente em tempos como este.

Como fazer então pra que a qualidade da alimentação deles seja priorizada? Com informação. A motivação necessária para abrir uns horários na agenda semanal virá do conhecimento sobre os reflexos do estado nutricional dos pequenos, a curto, médio e longo prazos. Este blog tem dezenas de posts que detalham estes efeitos, mas, de forma resumida, a alimentação está entre os fatores que determinam o desenvolvimento físico e mental destas crianças; que promovem saúde, bem-estar e qualidade de vida e que previnem doenças para o resto da vida deles.

A infância é uma fase crucial para a construção de hábitos saudáveis e do paladar do seu filho, é mais fácil fazer com que ele cresça acostumado a comer frutas, verduras, legumes e sem tanto contato com os ultraprocessados do que tentar mudar o hábito de um adulto ou de um adolescente que já se deparou com um problema de saúde, acarretado por uma rotina alimentar deficiente. Quanto maior é a frequência com que uma criança consome produtos, como: salgadinhos, biscoitos, doces, refrigerantes, macarrão instantâneo, embutidos, margarina, entre outros, mais “viciado” fica o seu paladar e menos ela irá aceitar os alimentos naturais, e, consequentemente, menos nutrida ela estará, mesmo que esteja acima do peso e mais inflamado estará o seu organismo.

Assim como acontece com os adultos, uma criança mal nutrida e/o com o organismo inflamado pode apresentar sintomas bastantes variados, de acordo com a sua predisposição genética, como: cansaço, apatia, irritabilidade, ansiedade, déficit de atenção e aprendizagem, hiperatividade, rinite, sinusite, bronquite, amigdalite, asma, dermatite, obesidade, enxaqueca, gripes e resfriados frequentes, entre tantos outros. Investir um tempo na promoção da saúde e do bem-estar deles é, portanto, o caminho mais rápido pra alcançar a sua tranquilidade, presente e futura.

3- Não desista
Nunca é tarde pra fazer o seu filho comer melhor. É também bastante comum os adultos desistirem de introduzir algum alimento na rotina das crianças logo após a primeira recusa, fazendo com que o leque de aceitações fique cada vez menor. O que pouca gente sabe é que nós precisamos de até quinze contatos com um alimento para que o nosso paladar se acostume com ele. Na maioria das vezes é preciso menos do que isso. Você pode apresentar o mesmo item de formas bastantes variadas, crua, refogada, assada, grelhada, cozida, com temperos naturais, amassada como purê, quanto mais vezes ele se deparar com aquele elemento, maiores as chances de aceitá-lo.

Outro engano comum é reduzir todo um grupo alimentar a um de seus representantes, por exemplo, se o pequeno não gosta de alface, já concluem que ele não gosta de verduras e ele deixa de ser apresentado a todas as outras: rúcula, agrião, couve, escarola, acelga, entre tantos outros. O mesmo pode acontecer com os legumes, que são tão variados. Aqui em casa, o meu filho demorou anos pra gostar de alface, por exemplo, mas sempre comeu todas as outras verduras. Hoje, com 7 ele já come, mas se eu tivesse desistido da alface, ele jamais iria comer. Isso também acontece, o nosso paladar vai mudando ao longo dos anos, algumas frutas que ele não comia quando era menor, hoje adora.

Não se esqueça que o exemplo é fundamental na hora de criar um hábito saudável. Se você não costuma comer frutas, legumes e verduras e prefere os ultraprocessados à comida de verdade, é uma ótima motivação para se reinventar e melhorar o seu autocuidado, pra mim, se alimentar bem é um baita gesto de autocuidado.

4- Pare de se cobrar
É verdade que a culpa é inerente à maternidade. Aquelas que trabalham muito e têm pouco tempo pros filhos, culpam-se pela ausência, outras que se dedicam exclusivamente à criação dos filhos e às tarefas de casa, sentem por não estarem se realizando profissionalmente, por não serem remuneradas com dinheiro… Se impomos limites demais, nos culpamos pela rigidez, se somos mais permissivas, a culpa é por estarmos criando pessoas mimadas, parece que nunca encontramos o caminho do meio. É normal se sentir assim, mas é possível amenizar um pouco este sentimento.

Se você acha que a alimentação do seu filho não está tão boa quanto poderia ser, não se culpe, você, mais do que ninguém, entende qual é o seu contexto e o que levou a este resultado. Utilize esta sensação como um impulso para agir e conquistar a melhora necessária. Se já está neste processo de mudança, não se frustre com as pequenas derrotas diárias, elas são inevitáveis, a insistência será sua maior aliada neste processo.

Com certeza também não é o momento ideal para se culpar pelos quilinhos a mais ou menos, por exemplo, pra mim, aliás, nunca é hora de se culpar por isso. É claro que é importante cuidar da sua saúde física e mental, mas quanto menos cobrança pela imagem considerada perfeita, mais tranquilidade você terá pra focar no seu real bem-estar. A atividade física é um instrumento fundamental na garantia da nossa qualidade de vida. E pode ser feita em casa, naqueles minutinhos que nos sobram.

Falando em tempo, agora, mais do que nunca, é imprescindível ter um/a parceiro/a que divida as tarefas diárias pra que você possa desfrutar desses momentos fundamentais de individualidade, seja para se exercitar, para meditar, dormir, dançar, ler, praticar um hobbie, enfim olhar para si e fazer algo que a relaxe, a faz feliz, que a reconecte com a sua essência.

Importante: acompanhe somente o exemplo de mães e mulheres reais. As redes sociais estão cheias de mães “perfeitas”, com crianças “impecáveis”, rotinas “maravilhosas”, casas “perfeitamente organizadas”, casamentos “exemplares”, verdadeiros contos de fadas. Muito cuidado. Quando nos deparamos com esta versão da realidade, é muito comum nos sentirmos fracassadas e, claro, culpadas. Lembre-se que esta é apenas a versão que foi divulgada, um pequeno recorte do dia a dia de uma pessoa. Hoje já é possível encontrar perfis e relatos de maternidade real, como a sua. Ver, ler e ouvir desabafos e histórias iguais às suas, lhe trará muito mais conforto e paz interior. Então faça uma boa seleção do que irá acompanhar e siga somente com o que te faz bem.

5- Tente se divertir
Mães que tiveram que sair do trabalho pra cuidar dos filhos ou que puderam optar por isso costumam sentir que seu trabalho não é reconhecido, muitas vezes nem por elas mesmas. Ouvi essa semana que “filhos são obras de arte” e de fato é um grande feito criar seres humanos empáticos, respeitosos, dignos, éticos, generosos. É a maior contribuição que damos para o mundo. Não é uma tarefa pequena, é apenas não remunerada, o que é muito diferente. O importante é que você reconheça o valor do que está fazendo.

Infelizmente, não temos como mudar o nosso contexto, mas podemos aproveitar o momento para fortalecer os laços familiares pra toda vida. Nunca passamos tanto tempo ao lado dos nossos filhos, acredito que este período vai ficar eternizado nas nossas memórias e nas deles. Vamos então criar lembranças boas dessa época. A comida sempre foi um ótimo meio pra isso, quem não se lembra com carinho da infância quando volta a provar um prato que comia no passado? Eu aprendi a cozinhar quando descobri que estava grávida porque queria provocar nele essas sensações.

Encare a tarefa de alimentar bem a sua cria com mais leveza, procure se divertir com isso, no começo pode parecer chato, mas é possível que você até descubra um novo hobbie e o momento de cozinhar poderá se tornar um refúgio. Coloque músicas que você gosta, eu adoro ouvir podcast, ou fique em silêncio, também pode ser muito bom. Se quiser companhia, leve com você os seus amados e passe um tempo precioso ao lado deles. Não é você que cozinha? Sem problema, você pode transformar as refeições em momentos divertido de convivência entre vocês. Assim como a hora de comprar os alimentos. Crie a sua própria estratégia, faça o seu melhor e fique tranquila que os resultados aparecem.

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