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Conto do paco

Como cuidar do dinheiro sem cair no golpe da matéria paga

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Dora Andrade - Foto Divulgação

Saber quanto ganha, quanto gasta, o que dá para guardar, quais gastos priorizar. Anotar até o picolé do dia de calor, recorrer ao bom e velho cofrinho, fazer planilha, descobrir o que é possível cortar. Poupar, investir. Esses são alguns passos que podem levar a uma vida financeira mais descomplicada, mas que ainda não fazem parte da realidade de muitos brasileiros: a educação financeira.

É fácil ter acesso ao planejamento financeiro pode mudar vidas. E ninguém precisa cair no conto do paco e ficar atrelado às muitas fantasias oferecidas em ‘conteúdo especial’ (matéria paga) que circula em diferentes portais e sites de notícias. Nesses casos, quem ganha é o intermediador e a instituição financeira, exigindo cada vez maiores valores para aplicação. Além, claro, do próprio vendedor do espaço.

No Brasil, cerca de 74% das famílias estão endividadas. No entanto, mesmo em uma realidade de alto desemprego e renda média em torno de R$ 2.489, educadores e planejadores financeiros garantem que é possível se organizar, mesmo ganhando pouco. Muitos atuam gratuitamente em feiras e eventos nas comunidades de baixa renda e conseguem ver a melhora na qualidade de vida e na saúde mental das pessoas.

“A quantidade de clientes que eu já tive chegaram em uma situação de ‘não sei mais o que fazer, estou com vários problemas de saúde’, advindos do endividamento, da ausência de renda”, conta Dina Prates, educadora financeira e uma das sócias do Instituto Estrela Preta, que fica em Porto Alegre.

Cícero conheceu bem essa realidade. Alagoano vivendo em Brasília, teve uma fase de endividamento e precisou morar no carro. Ele conta que comia quando dava. Atualmente o mecânico aluga uma quitinete e está quitando as dívidas do cartão de crédito. O projeto, a longo prazo, é abrir um pequeno negócio e aprender mais sobre finanças. “A única coisa que os pais ensinam pra gente é ‘meu filho, você tem que comprar uma casa, trabalhar, casar e constituir família’. Eu fiz o ensino médio todinho e nunca ouvi falar em educação financeira”, lamenta Cícero Mariano de Souza.

Crianças de uma escola em Jacareí, interior de São Paulo, vão poder contar outra história. As escolas municipais têm usado a plataforma digital Tindin Escola que, por meio de simulação e brincadeiras ensina as crianças sobre indicadores financeiros, prioridades de consumo, empreendedorismo e investimento. A plataforma faz parte de uma startup de educação financeira.

“Quando meu filho, aos 3 anos e meio, teve um problema com consumismo infantil eu acabei pesquisando sobre o tema finanças para crianças”, lembra Eduardo Schroeder, fundador da Tindin. O resultado com as crianças de Jacareí já está aparecendo. “Eu aprendi que não é para ficar saindo pros lugares e gastando tudo que você tem, daí seu dinheiro fica negativo”, afirma Gabriel Davi dos Santos, estudante do 5º ano.

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