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Inimigo do povo

Congresso descartável se fantasia de golpista para derrotar Lula

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Alguns órgãos de imprensa e muitos dos chamados patriotas comemoraram a rejeição de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal e a derrubada dos vetos ao PL da Dosimetria como uma derrota pessoal do presidente Lula da Silva. É claro que não foi. É pura falácia dos cordeiros de um mito que já se foi, os quais, mesmo explorando diariamente o nome de Deus em vão, não sabem o que dizem. Aliás, de vez em sempre, tenho a certeza de que eles sequer sabem o que fazem. Se soubessem talvez percebessem que o verdadeiro derrotado foi todo o povo não extremista.

Atuando e se manifestando fantasiados de golpistas com pele de democratas, o gado que apoia e defende as ilhas infestadas de fake news denominadas direita e extrema-direita conscientemente tenta recuperar o monstro que habitou o Palácio do Planalto por apenas quatro anos. Para alcançar o objetivo, seus representantes na Câmara e no Senado se valem de todas as formas escusas e escrotas de fazer política. Em duas delas, se valeram da maioria das duas casas do Congresso para se imaginarem emparedando o presidente, ora candidato à reeleição.

Associados ao que há de mais arcaico no Centrão, os parlamentares bolsonaristas estão convictos de exageraram na medida. Suas principais lideranças também não escondem a preocupação com o contra-ataque de Luiz Inácio. E, mais cedo ou mais tarde, certamente ele virá. Talvez não venha carregado com a mesma sujeira dos considerados conservadores do Parlamento. Mas provavelmente virão com as verdades necessárias para rasgar a máscara dos extremistas e, principalmente, informar aos eleitores indecisos que fechar com as maracutaias de Alcolumbre e sua turma é apostar no retorno do caos.

Não culpo diretamente o candidato Flávio Bolsonaro. Entretanto, o senador Flávio Bolsonaro dá sinais claros de que, mais importante do que ajudar o povo e tirar o Brasil do atoleiro, é tirar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, da cadeia. Para isso, tanto ele quanto seus seguidores dentro e fora do Congresso estão certos de que também acabarão livrando da prisão dezenas, talvez centenas, de outros criminosos. É exatamente esse o veneno em que se transformará a vacina que a oposição bolsonarista criou para beneficiar os vândalos de 8 de janeiro de 2023.

Mesmo que desagrade ao lado bom do Parlamento, a alcunha de “Congresso inimigo do povo” está cada vez mais pregada nas paredes e pilotis da Câmara e do Senado bolsonaristas. Até mesmo os leigos e analfabetos políticos não têm dúvida de que o Centrão e os demais partidos associados a Flávio Bolsonaro entendem que os interesses pessoais de seus integrantes são infinitamente mais relevantes do que os da nação. Ainda é cedo para qualquer um mortal bater martelo sobre a vitória de A, B, C ou D, mas o povão deve ter começado a se decidir após o Congresso de Alcolumbre provar que, além de capacho, é descartável,

O problema é quanto ao tempo que os supostamente “emparedados” levarão para explicar a seu distinto público a enganação e a esparrela que enfiaram goela abaixo do gado. Embora não acreditem, não sou eleitor da esquerda, muito menos da direita. Sou eleitor do Brasil. Como tal, entendo como normal que boa parte dos brasileiros não goste de Lula e do PT. Todavia, é inquestionável que hoje temos uma nação forte, democrata, respeitada, que não se curva às ordens de ninguém e que não negocia sua soberania. Portanto, entre o descrédito dos políticos, o apoio a golpistas e a guerra insana pelo poder, fico com a paz e o amor.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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